Monday, March 30, 2015

Frank Werfel: Six Septets To Honor The Spring Of 1905

Maria Immisch was the springtime. 
With feeling and reverence
I snatch her adored name from the underworld.
When I was fifteen in '05, that year
—they celebrated the big Schiller centennial
—and I saw her as heroine in his famous plays.
To this day my heart's still thankful.

The city park was already dense in leaf.
The lilacs beckoned. I was allowed
Entry into the Classical Theater.
I sat in the overpacked balcony.
She stood inflamed with her stage magic presence
While a storm of emotions raged through my fresh heart
As did the song of Schiller's iambs.

Her hair was black. Her eyes were blue.
She played girl, child, and lady
In peplum, petticoat, Stuart collar, cloak.
She spoke the words in a dark contralto.
She strode and suffered and died, her character on air.
She was that woman. She was my dear and holy faith,
The one who pierced the invulnerable me.

The spring named Maria Immisch
Showed me the way to this far shore.
She was the springtime. But I was in bloom.
I became dead quiet. Life was too big.
My hopeless case was at school
For I studied her picture all the live-long day
Painfully healthy, so blissfully sick.

That night I fled from the house
And stood with that cuffed bouquet,
Lacking the audacity, outside the stage door.
She came out with a gentleman trimmed in fur,
She was the star of the city, she was a star.
In utter silence I retreated with my flowers from that place
Almost relieved that I had failed.

The night was moon-white in the park.
I tossed those flowers in the pond.
There they floated. I didn't mean it to be symbolic.
My heart wasn't hurt, wasn't greedy for pain.
For the first time I had an inkling of warm tears,
That we only get what we never get.
Maria Immisch, the spring '05, be thanked. 

Monday, March 16, 2015

Shakespeare : Trilogy on Love

PART III
Who most doth slander love The deed must alway prove. Truth shall excuse That you accuse, 4 For slander and reprove; Not by refuse, But by abuse You most do slander love. 8 Ye grant it is a snare And would us not beware. Lest that your train Should be too plain, 12 Ye colour all the care. Lo, how you feign, Pleasure for pain, And grant it is a snare. 16 To love and to be wise, It were a strange device! But from that taste Ye vow the fast, -- 20 On zyns though run your dice, Ambs-ace may haste Your pain to waste, To love, and to be wise. 24 Of all such pleasant days, Of all such pleasant plays, Without desert You have your part, 28 And all the world so says. Save that poor heart That for more smart Feeleth yet such pleasant days. 32 Such fire and such heat Did never make ye sweat, For without pain You best obtain 36 To good speed and to great. Who so doth plain, You best do feign Such fire and such heat. 40 Who now doth slander love?

Shakespeare: Trilogy on Love

PART II
Leave thus to slander love! Though evil with such it prove Which often use Love to misuse, 4 And loving to reprove. Such cannot chose, For their refuse, But thus, to slander love. 8 Flee not so much the snare - Love seldom causeth care, But by deserts And crafty parts, 12 Some leese their own welfare. Be true of hearts, And for no smarts Flee not so much the snare. 16 To love and not to be wise Is but a mad device. Such love doth last As sure and fast 20 As chance on the dice. A bitter taste Comes at the last, To love and not to be wise. 24 Such be the pleasant days, Such be the honest ways. There is no man, That fully can 28 Know it, but that he says Loving to ban Were folly then! Such be the pleasant days. 32 Such is a pleasant fire, Kindled by true desire. And though the pain Cause men to plain 36 Speed well is oft the hire. Then though some feign And leese the gain, Love is a pleasant fire.

Shakespeare: Trilogy on Love

Shakespeare: Trilogy on Love

PART I Lo, what it is to love! Learn ye, that list to prove, At me I say, No ways that may 4 The grounded grief remove, My life alway That doth decay. Lo! what it is to love. 8 Flee alway from the snare, Learn by me to beware Of such a train Which doubles pain, 12 And endless woe and care That doth retain; Which to refrain Flee alway from the snare. 16 To love and to be wise, To rage with good advice, Now thus, now then, Now off, now on, 20 Uncertain as the dice; There is no man At once that can To love and to be wise. 24 Such are the diverse throes, Such, that no man knows That hath not proved, And once have loved. 28 Such are the raging woes: Sooner reproved Than well removed, Such are the diverse throes. 32 Love is a fervent fire Kindled by hot desire; For a short pleasure, Long displeasure; 36 Repentance is the hire. A poor treasure, Without measure. Love is a fervent fire. 40 Lo! what it is to lov

Sunday, March 15, 2015

Aimi Kobayashi - Chopin Nocturne in C-sharp minor, Op. posth

Vladimir Holan - When It Rains On Sunday

When it rains on Sunday and you are alone,
open to the world but no thief comes
and neither drunkard nor enemy knocks at the door,
when it rains on Sunday and you're deserted
and can't imagine living without the body
or not living since you have it,
when it rains on Sunday and you're on your own,
don't think of chatting with yourself.
Then it's an angel who knows, and only what's above,
then it's a devil who knows, and only what's below.

A book is in the holding, a poem in release.

Thursday, March 05, 2015

Eu, ela e o cão

Nunca nada me fez só mal,  nem só bem. Tudo me tem feito sempre mal e bem. Hoje não sei que dizer, só te envio a fotografia do cão. Por mim não mandava. Mas o cão veio pôr-se ali à entrada da sala, na porta que dá para o jardim, e perguntou-me porque é que eu lhe tinha mentido. 
- O que é que estás para aí a contar, disse eu. 
- Disseste-me que ela hoje vinha, mas não veio nem vem. 
- Como é que sabes?
- Assim que olhei para ti esta manhã percebi logo que ela hoje não vinha. 
- Ela nunca pensou em vir. Sabes como são as miúdas, um pouco fúteis, não sabem o que dizem.
- Mas tu pensavas que ela vinha. 
- Nunca acreditei nisso a sério. Mas era uma possibilidade engraçada.
- Ela não é fútil, não inventes.
- OK, ela não é fútil, tens razão. Retiro o que disse. 
- As raparigas não sabem o sentido exacto das palavras. E tu exageraste, pediste de mais. Esperaste de mais. Em tão pouco tempo! Insensatez. A rapariga assustou-se. A pobre já nem podia respirar, não entendia nada, não sabia o que fazer. Tudo na vida dela tinha estado regulado até tu apareceres. Porque és tão impaciente, tão imprudente?
- E tu, porque te estás a meter onde não és chamado? A história de amor é minha, não tua. Eu assumo as responsabilidades, o prazer e a dor são meus. Tu não passas de um cão.
- Os cães também têm sentimentos. Vi-te meio triste. O orgulho não te vai servir de nada. 
- Estás enganado. Estou tão feliz como antes. Aliás ficas a saber que continuo a gostar muito dela, tanto como sempre. Nunca me aconteceu uma coisa assim. Nunca mais me vou esquecer da cara dela, das palavras que ela me escreveu.  Nunca ninguém me disse de maneira tão sincera e tão terna que me amava.  
- Pois, talvez. Tiras-me uma fotografia?
- Para mandares à tua namorada? Não me faças rir. As cadelas preferem os cães de carne e osso, uma fotografia não resolve nada. 
- Olha que eu perco a paciência e o respeito e mordo-te.
- Morde. Pensas que me importa? Hoje tanto se me dá.
- Ela não te sai do pensamento. Digo o nome dela? Começa por A.
- Caluda! Proibido dizer o nome. 
- Reprimido. Tanto pudor, tanto segredo. Sofres em silêncio. 
- Pensa o que quiseres, mas eu não sou nenhum romântico imbecilizado. Mind your own business. 
O cão olhou-me com ar misterioso, não sei se duvidava da minha sinceridade. Eu vim-me embora, sentei-me a ler. Tirei-lhe a fotografia, mando-ta aqui, ele parece que está a meditar. Um cão que pensa e fala não é coisa corrente. 

Enquanto te escrevia estava a ouvir os Madredeus. A hora que te espreita é só tua...  Coisas pequenas... e a menina... foge... o barquinho...  do Porto para Lisboa... foge a menina da beira-mar...  haja o que houver eu estou aqui... Mas não posso pôr a música muito alta porque, como tu dizes, eu sou “um amor clandestino” e por isso não tenho nem posso ter direito a nada. Posso dizer pela boca da Teresa Salgueiro que “queria mais alegria, isso que eu queria”, posso deixar essas palavras e a música como mensagem no teu telefone, mas é tudo. É muito ou pouco? É muito e é pouco. 

Sunday, March 01, 2015

Vamos a Budapeste?


H. – Lembras-te de quando nos conhecemos?

M. – Foi há muito tempo.

H. – Depois, durante alguns anos, ignorei-te. 

A. – Eu não me queixei. 

H. –  A minha vida era noutro sítio. Eu tinha uma relação com outra mulher. 

M. – Eu tinha uma relação com outro homem. 

H. – Eu gostei de ti.

M. – Não sei se é verdade. O que é gostar? Querias dormir comigo. 

H. – Eu tirei-te muitas fotografias, lembras-te? 

M. – Eu não te tinha pedido nada.

H. –  Ia tirando as fotografias e ia ficando seduzido. Naquela casa imensa, cheia de escadas, com quartos enormes e vista para o rio. 

M. – Depois levaste-me para o teu quarto. Fiquei surpreendida. 

H. –  Não me esqueci de nada.

M. – Foi há muito tempo.

H. – Tenho saudades. E remorsos.

M. – Remorsos?

H. –  Não soube amar-te.

M. – O que tu procuravas não era o amor.

H. – Agora eu lembrei-me. Estava a olhar para ti e lembrei-me. 

M. – Foi há muito tempo.

H. – Nunca me esqueci.

M. –  Levaste-me a jantar. Fomos de carro. Atravessámos uma ponte de pedra muito antiga.

H. –  Não me esqueci.

M. – Depois, quando chegou o momento de partir, fomos pela margem do rio até à grande cidade.

H. –  Tu ias sentada ao meu lado. Eu sabia. 

M. – Na grande cidade dormimos numa pensão perto de um torre antiga, mas tu nunca mais me tocaste. 

H. –  Eu sei. 

M. – Sentias-te culpado. 

H. –  Eu sei.

M. – Fiquei surpreendida, mas não me queixei. 

H. –  Eu sei.

M. – Dormiste comigo uma ou duas vezes e desinteressaste-te.

H. –  Havia outra mulher na minha vida. Pode ter sido por isso.

M. – Não sabes?

H. –  Não sei.

M. – E agora estás a olhar para mim.

H. –  Encontrámo-nos várias vezes, mas nunca falámos no que aconteceu naqueles três dias.  

M. – Eu não me queixo. Nunca me queixei. Provavelmente também me esqueci.

H. –  Amaste outros homens, tinhas de te esquecer.

M. – Amei? Devo ter amado. Mas o amor, os homens, neste momento não me interessam. 

H. –  Não sei se acredite em ti.

M. – É verdade. Juro-te.

H. –  Mas alguém te ama, tu amas alguém ainda.

M. – Não sei se estou feita para viver com outra pessoa. 

H. –  Queres ir comigo a Budapeste? 

M. – A Budapeste? Fazer o quê?

H. –  Nada. 

M. – Nada?

H. –  Nós não temos nada a fazer em Budapeste, nem eu nem tu. É por isso que devíamos lá ir. Ver como é.  

M. – Andamos a pé pelas ruas de Budapeste, sentamo-nos nos cafés. Tu e eu. Mas porquê eu? Vais sozinho e lá conheces outras pessoas.

H. –  Não gosto de viajar sozinho. 

M. – E se te aborreces-te na minha companhia? Como saber que não te vais irritar comigo, que não te vais desinteressar de mim outra vez? Ou eu aborrecer-me ao teu lado?

H. –  Não é impossível, mas parece-me improvável. Acabo de descobrir-te outra vez. 

M. – Hmmm....

H. –  You are so sweet. Estás tão bonita. Os teus olhos. O teu sorriso. Como é possível eu não ter ficado amarrado a ti a primeira vez, quando nos conhecemos?

M. – Really? Amarrado? Que exagero. Tu tinhas outra mulher na tua vida. 

H. –  Vamos a Budapeste e durante dez dias fazemos só o que nos apetece. 

M. – Parece simples.

H. –  É simples.

M. – Não sei.

H. –  Não te estou a propor futuro nenhum. Estou só a propor-te que durante dez dias te esqueças da tua outra vida, aquela que deixaste e a que regressarás. 

M. – As coisas que tu dizes...

M. – Conheces-me há tanto tempo. Estás a dar-me uma importância que eu não tinha previsto.

H. –  A primeira vez não te conheci. Passei por ti distraidamente. Não entendo como foi possível. 

M. – Foi possível.

H. –  És uma pessoa muito mais interessante do que eu tinha percebido. Não me dei conta disso. Fui um imbecil.

M. – Queres redimir-te agora?

H. – Quero.

M. – Porquê?

H. –  Fui um parvo a primeira vez. Menosprezei-te. 

M. – Acontece-nos a todos. Já te confessei que neste momento os homens não me despertam muito interesse. Tanto se me dá. Provavelmente não devia ser assim. Mas que posso fazer? Nada.

H. –  Quando se está seguro do amor de outra pessoa é fácil falar assim. 

M. – É possível. Mas não sinto nenhuma vontade de me comprometer. 

H. –  Não te comprometas. Anda comigo a Budapeste.

M. – Não sei.

H. –  Eu gosto de ti. Durante dez dias vou tratar-te tão bem que tu nunca mais te vais esquecer. Quando voltarmos e nos separarmos no aeroporto despedimo-nos e nunca mais voltamos a falar no assunto. Ficamos apenas amigos como antes de ir a Budapeste.

M. – As coisas que tu dizes.

H. –  Não acreditas em mim?

M. – Não sei se quero acreditar. Não sei se quero pensar nisso. 

H. –  Eu não te falei de amor. 

M. – Falaste de qualquer coisa que se assemelha àquilo a que as pessoas chamam amor. 

H. –  Não me interessa o que as outras pessoas pensam. Basta de submissão ao senso comum. O que é que as outras pessoas sabem da vida? 

M. – E tu, o que é que sabes da vida?

H. –  Sei.

M. – Tenho de me ir embora. Há um comboio dentro de dez minutos.

H. –  Promete-me que vais pensar no que eu te proponho.

M. – Talvez.

H. –  Não me desiludas. 

M. – Logo se vê.

H. –  Dez dias fora deste mundo de rotinas e de tédio. 

M. – Talvez, não sei. Tenho de ir.

H. –  Se recusares, um dia vais arrepender-te. Quando entenderes.

M. – Não sei. 

H. –  Promete-me que vais pensar nisso.

M. – Prometo. Adeus.