Thursday, August 16, 2012

A poesia, ah!


Para escrever um poema juntei algumas palavras.
Um poema não passa disso: algumas palavras.
O problema, evidentemente, é o estilo. O que
seria um poema sem o estilo em que ele vê a
luz do dia? Nada. Parece simples. Mas não é
simples: o estilo é a dimensão metafísica do
poema. Não é necessário saber o que é o
estilo nem aspirar a ter estilo para ter estilo. 
O estilo é como a morte: não é possível
escapar-lhe. Olhei para as palavras do poema
e perguntei-me: em que traje de morto é que,
sem pensar nisso, fiz entrar o meu corpo?
Insensíveis aos detalhes da minha metafísica,
que pensariam das minhas palavras e da maneira
como as juntei os especialistas da poesia? Desin-
teressei-me da resposta. À gente do convento o
que pertence ao convento. À gente da corte os
trajes da corte. E fui dar uma volta de bicicleta.

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