Tuesday, June 14, 2011

E nós falamos

As palavras saem da boca
da esfinge, mas todos dizem
que perceberam o seu sentido.
A esfinge somos nós, tenras
crianças: falamos como
respiramos, naturalmente.
Mais tarde as coisas complicam-se:
o que parecia simples e natural
- o sentido das palavras -
revela-se confuso e incerto,
obscuro até. Há quem aprenda
a andar de bicicleta, a pilotar um
barco ou um avião. Mas quem pensa
que tem de aprender a falar? Quem
entende que as palavras são, por
vezes, um ruído saído da alma,
rude e indecifrável, outras vezes
um esgar de desespero, um
grito insensato de alegria? E
tantas vezes a maneira que nós
temos de dizer o que não pode
ser dito. Falar pode ser tão
natural como respirar. E escapa-nos
o sentido das frases, o poder que
elas têm de provocar a mudança 
no espírito daqueles que nos amam.
Acerca daqueles que usam as
palavras para ocultar do nosso
olhar perplexo o rosto da 
verdade podíamos falar; mas
preferimos não dizer nada.  

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