Sunday, May 16, 2010

Spleen

1. Esta história incómoda do vulcão islandês já ultrapassou os limites há muito tempo. De que é que se está à espera para invadir a Islândia e restabelecer a democracia aérea?

2. Estou cansado de sentir remorsos quando como carne. Quando é que os cientistas põem à nossa disposição carne de frango, de vaca, de salmão ou de truta que não provenha de animais com olhos, boca, e sobretudo cérebro como nós? Desprovidos de consciência da sua própria existência, os novos animais também não teriam consciência da sua própria morte, não sofriam. E como há partes do corpo dos animais que nós não cozinhamos nem comemos poupava-se o tempo que esses órgãos inúteis demoram a formar-se.

3. É possível que os adeptos do Benfica acreditem sinceramente que ganharam qualquer coisa este ano (a Liga? que Liga? o que é isso? e passa-se nos túneis?). Mas são eles os únicos a fazer de conta que aceditam nisso.

4. Cada vez mais me parece que a maior parte dos livros de poemas e de ficção que se publicam e as orações que se murmuram nas igrejas nascem de necessidades e convicções semelhantes. As pessoas necessitam de acreditar e a fé é uma fecunda criadora de sentidos. Bla bla bla. Os fracos e os preguiçosos, que são a maioria, fogem da simplicidade e da complexidade do real e pôem a circular visões do mundo cheias de tolices. O universo comercial da literatura - que é o mais visível - é em grande parte uma confraria de gente sonâmbula, ambiciosa, meio cegueta, maneirista, arrogante e ignorante. O dandismo de pacotilha domina. Ter fé não é forçosamente um defeito. Mas devia haver limites para o abuso. O número de livros e autores para não ignorantes é raro.

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