Monday, September 28, 2009

Abusos de poder

É impossível não simpatizar com a permanente luta inglória de Paulo Bento a favor da verdade desportiva e contra a corrupção e incompetência que reinam nos organismos que têm a seu cargo a gestão oficial do futebol em Portugal. Em Portugal está a confundir-se o respeito pela lei e o direito de aplicar a lei com um autoritarismo arrogante que se julga no direito de oprimir as pessoas e de fazer erros sem sofrer consequências. Acontece isso no futebol, onde qualquer Duarte Gomes se permite olhar para Liedson e tratá-lo no campo de jogo com a arrogância e desprezo típicos dos colonialistas de outros tempos (viu-se a imagem em grande plano no jogo do Porto). Essa confusão entre fazer respeitar a lei e oprimir de maneira fascista as pessoas é que explica também que em Lisboa se bloqueiem as rodas de um carro que está estacionado sem incomodar ninguém em vez de se aplicar apenas a multa pelo não pagamento do estacionamento. Há juristas em Portugal? A filosofia que preside ao fabrico das leis interessa-lhes minimamente? Parece que não.


Há mais exemplos a merecer reflexão. Exemplos de abuso inadmissivel: as companhias de telemóveis e internet praticam os preços que querem, com as condições complexas que elas próprias impõem, e roubam os clientes repetidamente de maneira legal quando eles não respeitam as regras que lhes são arbitrariamente e abusivamente impostas. Para fugirem a despesas, as companhias de seguro de automóveis têm o direito de considerar que um carro em perfeito estado de funcionamento não tem o valor necessário para ser reparado se a reparação ultrapassa o valor ridículo que elas próprias decidem atribuir a um veículo. Enquanto as leis e os comportamento dos organismos do Estado desrespeitarem os direitos de cada cidaddão e protegerem em vez disso as empresas, os bancos, as instituições corruptas como a arbitragem do futebol, Portugal não pode ser considerado um país democrático. Isto é fascismo disfarçado de democracia.