Friday, August 07, 2009

BM: os Romanos e nós





Fui ao British Museum e o que é que eu vi? Entre muitas outras coisas a beleza esplendorosa das raparigas, iguais às nossas. Rapazes iguais aos que eu cruzo na rua, mas em cima ou ao lado de cavalos: iam para a guerra ou, mortos, vinham dela. A escultura fixou a beleza e denunciou a tragédia. Os esgares das belas cabeças dos cavalos não dizem outra coisa. O que é que mudou entretanto? Nada, pelos vistos.

Thursday, August 06, 2009

A "good buy"...


O capitalismo às vezes tem piada: "do not leave London without a good buy" (algures numa parede do metro em Londres). Segui o conselho e comprei por 16 pounds (cada) as versões de René Jacobs do Don Giovanni e de As Bodas de Figaro de Mozart... além de outros saldos interessantes: novas versões dos concertos para violoncelo de Martinu*, versões antigas reeditadas dos quartetos de Beethoven pelo Quatuor Busch, etc... Londres tem tudo: magníficos museus, excelentes restaurantes, gente eficaz e civilizada de modo geral, chuva inesperadamente, pessoas a mais na rua, boas livrarias (estive na Foyles, evidentemente), fantasmas de alguéns que um dia cá conhecemos e que desapareceram na floresta anónima... e a própria cidade é uma obra de arte ... Já tenho saudades e ainda não me fui embora. Acho que vou voltar em breve e viver em Camden... :-)

* Afinal não são novas, já as tinha, só a capa do CD é diferente...Brrr!

Wednesday, August 05, 2009

Literatura? Bla bla bla...

Pouco me importa que o eu escrevo seja considerado literatura ou não (para ser claro: I don't give a fuck). As pessoas que decidem essas coisas nos manuais de literatura e nos jornais eu conheço-as de ginjeira - o suficiente para não dar muita importância ao que elas dizem e decidem. Quando escrevemos o que importa é saber se dissemos alguma coisa que mereça atenção. O resto é paleio institucional. As instituições, que são úteis (para sabermos, pelo menos, o que já passou de moda), necessitam de funcionários; mas as instituições são apenas a parte mais organizada ou mais convencional da nossa co-existência em sociedade.

P. S. O EU desta frase não é autobiográfico. O das outras também não, mas é melhor recordá-lo. Je est toujours un autre.

Monday, August 03, 2009

Sobre as "frases soltas"

Nem tudo o que nós temos a dizer pode ser organizado em discurso coerente, como se tivéssemos uma doutrina, uma filosofia de vida clara - ou ideias e projectos seguros acerca da nossa relação com outra(s) pessoa(s). Às vezes as frases sucedem-se no espírito sem esperarem pelas outras frases ou sabendo que não há outras constatações a fazer. Se eu não pude ou não soube dizer com convicção, de maneira compreensível, quanto necessitava de ti, a intensidade com que poderia eventualmente amar-te, de quem é a culpa? Minha por não me ter convertido às fórmulas da linguagem já conhecidas ou por não ter percebido que de nada me serviria falar? Tua por não me teres entendido devido ao espaço vazio entre as frases insuficientemente articuladas entre si ou porque a minha incoerência ou entusiasmo excessivamente juvenil te assustou? Da linguagem, que é sempre traiçoeira e insuficiente? Por isso depois de falar pode acontecer que surja o remorso: se não nos compreenderam de que serviu ter corrido riscos? Mas eu não me importo nem vou mudar. Cada um de nós é responsável por assumir as suas responsabilidades próprias no que lhe acontece.