Wednesday, April 30, 2008

Equívocos

O sentido das palavras não é o mesmo em Portugal, em Paris, em Pequim, em Berlim e em Nova Iorque. É evidente que não. O sentido das palavras é inseparável da experiência daqueles que as usam. As palavras nascem no ambiente que as exige e lhes é natural. Transplantadas para outro sítio as palavras conservam parte do seu sentido original, certamente. Mas com muitos mal-entendidos. Para perceberem o que eu digo imaginem que alguém planta bananas em Coimbra e quer vendê-las na América... As bananas de Coimbra, se conseguirem ser bananas, serão sempre apenas as bananas de Coimbra. Não é bom nem é mau, é apenas assim.

Sunday, April 27, 2008

Mas o barro


Tinta preta no papel
ou rasgão na cortina do
espírito: equivalem-se.

Os sábios charlatães irritam
a modéstia dos espíritos simples.

Os corações não sangram
realmente,
mas como
imprimir noutra
imagem
que nos dilacera
a confusão?

Morremos, esquecem-se de
nós
(e nunca existimos).

As palavras,
como o barro,
prestam-se
a múltiplas formas.
Mas o
barro esfarela-se e as palavras
são maleáveis até à náusea.

Escrever, atento, no deserto.
A ausência do amor é tão fecunda.

SB, 22 de Setembro, 2003

Esforço

As desertas ruas asfaltadas
e os adormecidos arbustos
na noite escura. Um
automóvel atravessa a negra
noite, luzes vermelhas cintilam
no canto dos olhos ocupados.
Poesia assim: um gelado,
um pudim, uma carícia, um
devaneio superficial talvez
à beira-mar. Isto é:
emaranho os fios; teço,
poupado e atento; sufoco
o que não tinha para dizer;
e digo, com palavras trabalhadas,
o mundo; o sem sentido construo,
artisticamente. Longe, na pátria,
o poder transpira os seus suores:
tanto esforço, tanta televisão,
tanta ambição desmesurada.
Eu só penso em adormecer,
feliz, ausente desses lugares
insalubres e insolúveis.

SB, 20 de Julho, 2005

Monday, April 21, 2008

"Reality is a bitch"


Há dias entusiasmei-me e comprei insensatamente três livrinhos de Jean Baudrillard em tradução inglesa. Uma coisa antiga para dar cabo do Foucault (nestas questões os intelectuais assemelham-se a qualquer merceeeiro disposto a acabar honestamente e convictamente com a competição; estamos a falar de visões do mundo), outro sobre "as minorias silenciosas", e enfim uma obra divertida, mas por razões diferentes das que se imagina: O Crime Perfeito. Eu não sei se referir-me uma vez mais ao delírio da razão e da imaginação de alguns académicos franceses, repetindo contrariado e pesaroso para mim mesmo que o ser humano francês é por natureza um animal culto, letrado, um intelectual. Vão lá dizer a um francês (esta generalização não abrange todos os franceses, evidentemente; é uma figura de estilo) que uma pedra é uma pedra ou que uma vaca é uma vaca. Se ele abrir um livro de Francis Ponge ou de René Char para nos provar o contrário, talvez não seja grave. Mas se ele se decide a divagar a partir de Saussure e a imitar Lacan e Derrida, estamos feitos. Qual seria o interesse do mundo e da nossa existência se uma vaca fosse apenas uma vaca e uma pedra apenas um calhau? Para um intelectual, nenhum. Mas Lacan ensinou-nos que tudo o que existe faz parte de uma língua secreta onde nenhum átomo de ente escapa ao sentido simbólico, onde as aparências que se manifestam são sempre significantes de um significado distinto do que nós imaginaríamos.

Em resumo, a vaca não é uma vaca nem a pedra é uma pedra. Parece que o são, mas por pouco tempo ou só para gente sem inconsciente e sem inteligência, pois uma vez integradas nas nossas narrativas sem sentido evidente transformam-se em engano e ilusão, em instrumento do erro e do desajuste em relação à verdade última, a única, a profunda, a que se deve ter em conta. Até podemos comer a carne da vaca, mas é bom que tomemos consciência de que ignoramos, com toda a inocência, o que é que estamos a fazer. Aliás quem é que relaciona o bife que ainda parece sangrar no prato com a ex-coxa provocante de um animal que se nos assemelha por ter olhos, boca, pernas, etc? Ninguém. Claro, é impossível designar com clareza o que é que a vaca - e deixemos de lado o bife, por agora - é exactamente, o que é que a pedra é exactamente, uma vez transformadas ambas em personagens das nossas narrativas obscuras e manhosamente estruturadas. A realidade para lá da realidade é um mistério intransponível. A linguagem do inconsciente será para sempre um enigma. Nada a fazer. Mas isso, evidentemente, não é razão para que nos deixemos iludir com a aparente legibilidade do real, com a aparente simplicidade do mundo. Alberto Caeiro era meio atrasado mental, de qualquer modo. Nós não somos simplórios, pois não? Baudrillard faz parte desta confraria combativa de intelectuais franceses - e isto é como o espiritismo, os seguidores têm surgido em todas as universidades estrangeiras - que tanto tem contribuído para nos livrar da perigosa e perniciosa ingenuidade com que abrimos os olhos para o mundo, isto é, para o que nós acreditávamos (ainda acreditamos, depois de tantas leituras?) que era a realidade.

Não posso citar o livro, infelizmente, porque infringiria as leis do copyright e não quero dissabores. Alás eu aconselharia a leitura integral da obra em Francês na praia este Verão - ou numa discoteca durante a noite, entre copos e corpos meio nus. Logo na página 3 da edição anglo-americana li que a verdade o que quer é entregar-se à gente. E quer entregar-se nua. Nua, nuazinha, sem vergonha, a porcalhona, diz Baudrillard mais ou menos. Nua, diz ele, não sei se perturbado, como a Madona num filme que a terá tornado famosa (e que eu nunca vi). Esse striptease, diz Baudrillard, é o striptease da realidade, que literalmente se desveste, oferecendo-nos com uma generosidade que é puro maquiavelismo a ilusão da sua nudez. É tudo trafulhice para incautos: não há nudez que alguma vez se deixe observar, é necessário desenganar-se a esse respeito. Já desvestida, a realidade vai surgir-nos ainda e de novo embrulhada noutra pele, nem sequer capaz, essa segunda pele, esse segundo vestido, o da nudez ou falsa nudez, de nos erotizar. Para terminar esta arguta análise - que me impressionou e deixou pensativo, a abanar a cabeça, a pensar como ele tem razão - Baudrillard conclui que a realidade é uma bitch, nascida de uma foda que envolveu a estupidez e o calculismo. A realidade, concluí eu também, seduzido e reconfortado, de facto é uma grande puta, faz que se dá mas nunca se dá, faz que se mostra mas nunca se deixa ver. Este livro, bem lido e bem comentado, dá para meia dúzia de semináros na universidade e para mil papers. Eu fico-me por aqui.

Não creio que Baudrillard venha a ter muito sucesso comigo, mas continuarei as minhas leituras - e sabe-se lá, a gente aprende e desaprende até morrer. Uma última pergunta: como querem que eu concilie o respeito, ou pelo menos a atenção e o interesse que me inspiram muitas reflexões de Derrida, com o narcisismo doentio, infantil, enfadonho, didáctico, de que ele dá repetidamente provas ? Numa comunicação que ele fez num colóquio sobre Jame Joyce achei-o de um narcisismo ridículo, complacente na sua lentidão, e fiquei a pensar se ele não tomava toda a gente por menos inteligente do que ele e por ignorante ou estúpida. Assisti uma vez a uma conferência dele que durou 3 horas e adormeci ao fim de uma hora, esgotado de paciência, farto de esperar que ele enfim se apressasse um pouco e dissesse alguma coisa antes de eu me ir embora. Em certos momentos a máquina mental do filósofo, sente-se ao lê-lo, parece que gripou e deixou de funcionar e que ele, Derrida, se deleita, numa jouissance surpreendente ou talvez obscena, num mastigar que agora não avança mesmo, a manipular enfim "o brinquedo" da linguagem na presença do leitor. Herança do estruturalismo que ele, Derrida (ver Counterfeit Money, por exemplo), pensou ter desconstruído e ultrapassado?

Ditado

Paçado o ezame, ultrapaçada e vensida eça fikssão da siênssia, a fantazia da menina Roza, a amiga da Çalomé, fês-lhe analizar as coizas mais confuzas de maneira cençata. Çob a influênssia da amiga, a Rozinha recuperou a lussidez. Reencontrou-çe concigo mesma.

Estabelesser-ce numa sidade de provínsia tem as çuas vantajens, comerssiais, peçoais e não çó: vê-ce muita coiza enquanto nos paçeamos nas ruas, ceja ao amanhesser, ao entardesser ou ao ao anoitesser. Nos dezenhos e nas fotografias vê-ce iço bem.

O ar de goso do çorridente Exequiel, xeio de vibrassões censuais, enxeu-a de admirassão. Ela centiu o çeu ceio estremesser de emossão. Exssitou-ce. Se tu quizeces, ceríamos felises, dezabafou a espoza incençata, çufocando, os centidos já insendiados.

A repetissão exsseciva, consedeu ela num jesto de cingular jenerozidade e com ezajerada dedicassão, favoresse a confuzão.

Eu, para fujir à desgrassa e humilhassão da reprovassão, só passo o ezame de admição à universsidade em Cetembro. E ainda acim, açeguro-te, confeço que hezito.

A Çara, grassioza, çonhadora, apetessível nas çuas formas rolissas, debrussou-se para a falézia esbranquissada e perigoza a çorrir. E sedusiu logo o profeçor que a perçeguira tão intençamente, com tanta devossão. Oferecesseu-ce-lhe e, cequioza de carissias, abriu-lhe os brassos. Ele asseitou, fervorozo, estremessendo, o corassão e a paichão dela, tão cinsera, tão çurpreendente. Cazaram-se paçados dois mezes, tiveram dois petises, paçam a vida no estranjeiro, onde ele tem uma manção.

O espozo preocupou-ce quando ela comessou a xorar e acarissiou-lhe os brassos nervozamente logo a ceguir, cilenciosamente, muito atenssioso e carinhozo.

Não cejas vaidoza, dice eu, asseita a tua çorte sem te queichares. Se penças que çofres demaziado, resa, agradesse a Deus a tua incignificante ezistênsia.

E relijiosamente, já cem paichão, ela çubmeteusse à çua çorte.

Cê portugueza de rassa, çaracoteia-te cempre acim, a çorrir de felissidade.

Não cejas falça. Eu apressio a cinseridade, já çabes iço, não çabes?

Equívoco

À força de receber prémios e outras provas públicas de admiração, o escritor acabou por convencer-se de que o que ele diz tem piada e tem importância...

Usado

Um poema de Aida Monteiro que tirei do blogue o perfil da casa, o canto das cigarras.


usado, pode ser um bocadinho
desse papel branco. é só para apontar
uma ideia: nas ruas as pessoas tropeçam menos
quando nos encontramos. as janelas
lá ao longe parecem agora tão pequeninas.
lembro-me de quando parámos a rir
respirámos por uns segundos sem nos olharmos
nos olhos e voltámos a rir e a redobrar o riso
até que demos as mãos, vimos a estrada.
uma ideia dessas, daquelas que demoram
a crescer nas sebentas e depois adoecem rápido
naquele dia pensei que estaríamos sós:
o barco sem ninguém, só o coração e o peso
dos sacos. depois os pés quase a tocar o rio.
mais tarde o eléctrico e o teu sorriso
ainda a arder nos meus olhos, a caminho de casa.

Dois poemas do Bruno

Gosto muito dos poemas do Bruno Béu. Transcrevo aqui dois do blogue dele sem lhe pedir autorização (um abraço, Bruno).

aproximação ao escuro


certamente que nisso que
dizes há alguma coisa
que esquecemos. espelhos e
mais espelhos onde o tempo
de ficarmos a olhar foi de
menos, quem sabe? um grito
não nos desviou disso que quase
se mostrava? hoje, a porta
ficou entreaberta, os risos
na sala ao lado são
os nossos, e pouco ou nada
no vidro deste copo se
mostra, mesmo que o deixemos
vazio (depois de um pouco
hesitarmos) num só trago.

estrada início

pouco depois do autocarro
sair da gare, ela, no caderno
escuro, escrevia a lápis: dentro
de dois dias, chegar será
o meu modo de dizer
sim. (e sublinhou a palavra)

Saturday, April 19, 2008

O (des)acordo ortográfico

Tenho grande condideração por Inês Lourenço: Hífen é uma revista de poesia sem par em que me honro de ter, por convite da Inês, colaborado. O poema que ela cita de Graça Moura acerca do desacordo ortográfico parece-me uma imitação extemporânea do estilo poético de Jorge de Sena, cheia dos lugares mais comuns de uma sensibilidade antiquada, pomposa, discutível. A "dignidade das letras e das gentes" talvez dependa também da ortografia; mas parece-me que depende de coisas bem mais importantes. Estou de acordo com a Inês e com outras pessoas numa coisa, porém: não tenho intenção de respeitar o acordo ortográfico. No meu caso não é por patriotismo, é porque me parece absurdo forçarem-me a escrever de outra maneira. Se é orgulho, é orgulho pessoal, não é manifestação de lusitanismo. As palavras, eu habituei-me a vê-las com determinado rosto; faltam-me a paciência e as razões para lhes dar outro. O latim já lá vai, ninguém quer saber disso, mas não me vejo a modificar a relação a que me habituei entre a palavra escrita e a palavra dita. Afirmo-o, porém, sem espírito de combate, sem rancores, sem queixas suplementares: se alguém daqui a mil anos vier a encontrar uma frase minha nas ruínas de um velhísimo edifício e a citar, não tenho dúvidas de que ela será reescrita na ortografia dessa época; é normal. Acontece até que eu me sinto inclinado a simpatizar com o erro de ortografia: pode ser uma prova de desrespeito saudável e divertida em relação à necessidade de ordem e uniformidade imposta pelas classes dominantes; a língua que nós escrevemos é sobretudo a delas, o que a meu ver explica o furor de imitação camoneana do deputado, poeta e tradutor.

OVNI, mais uma publicação

É já na próxima quarta-feira, dia 23 de Abril, às 21h, que a OVNI apresenta O ESPELHO ATORMENTADO, de Russell Edson, na Livraria Almedina do Estádio Cidade de Coimbra.

O encontro enquadra-se na celebração do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor e contará com intervenções do grupo Camaleão, que já encenou textos de Edson em Coimbra, e de Graça Capinha, professora da Faculdade de Letras de Coimbra e directora do Instituto de Estudos Norte-Americanos da Universidade e da revista Oficina de Poesia.

Cantores e viajantes

Já ouviu Kenneth Goldsmith cantar Benjamin, Wittgenstein, Roland Barthes, Derrida, Adorno, Jameson, Baudrillard, etc...? É uma experiência a fazer.

Quando li no Público de hoje que Vitorino vai cantar Lobo Antunes (fabuloso, imagino) e que uma série de escritores famosos de vários países vai debater em Matosinhos assuntos tão interessantes como "Mais importante do que o destino é a viagem" (o contrário também é verdade, mas o que é preciso é ir falando...). "Viajar é perder países" (nem mais, rapazes, isso é que é filosofar profundo...), "reencontro-me viajando" (pois, é uma maneira entre outras de se desencontrar de si mesmo...), lamentei logo a profunda desvantagem cultural de não viver em Portugal. Não se pode ter tudo, paciência...

Tuesday, April 08, 2008

Metafísica, dialectos, desorientação, etc...

A ver se alguns aspirantes a Aristóteles, académicos incorrigíveis que andam por aí a querer escrever a "poética do blogue" e a vociferar lugares comuns sem utilidade nenhuma, conseguem entender um pouco melhor o que se passa e o que lhes está a acontecer:

Nietzsche showed the image of reality as a well founded rational order (the perennial metaphysical image of the world) to be only the ‘reassuring’ myth of a still primitive and barbaric humanity. Metaphysics is a violent response to a situation that is itself fraught with danger and violence. It seeks to master reality at a stroke, grasping (or so it thinks) the first principle on which all things depend (and thus giving itself an empty guarantee of power over events). Following Nietzsche in this respect, Heidegger showed that to think of being as foundation, and reality as a rational system of causes and effects, is simply to extend the model of 'scientific' objectivity to the totality of being. All things are reduced to the level of pure presences that can be measured, manipulated, replaced and therefore easily dominated and organized and in the end man, his interiority and historicity are all reduced to the same level.


If the proliferation of images of the world entails that we lose our 'sense of reality', as the saying goes, perhaps it's not such a great loss after all. By a perverse kind of internal logic, the world of objects measured and manipulated by techno science (the world of the real, according to metaphysics) has become the world of merchandise and images, the phantasmagoria of the mass media. Should we counterpose to this world the nostalgia for a solid, unitary, stable and 'authoritative' reality? In its effort to reconstruct the world of our infancy, where familial authority was both a threat and a comfort, such nostalgia is in continual danger of turning into neurosis.

But what exactly might this loss of reality, this genuine erosion of the principle of reality, mean for emancipation and liberation? Emancipation, here, consists in disorientation, which is at the same time also the liberation of 'differences, of local elements, of what could generally be called dialect. With the demise of the idea of a central rationality of history, the world of generalized communication explodes like a multiplicity of 'local' rationalities - ethnic, sexual, religious, cultural or aesthetic minorities - that finally speak up for themselves. They are no longer repressed and cowed into silence by the idea of a single true form of humanity that must be realized irrespective of particularity and individual finitude, transience and contingency. Incidentally, the liberation of differences does not necessarily mean the surrender of every rule or the manifestation of brute immediacy. Dialects have grammar and syntax too, and indeed only discover them when they become visible and acquire a dignity of their own. With the liberation of diversity, they 'find their voice’, present themselves and so 'get into shape' for recognition; this is anything but a manifestation of brute immediacy.

The emancipatory effect of the liberation of local rationalities is not confined to guaranteeing everyone the possibility of greater recognition and 'authenticity', as if emancipation meant finally showing what everyone - black, woman, homosexual, Protestant, etc. - 'really' is (to use terms that are still metaphysical, Spinozan).

The emancipatory significance of the liberation of differences and dialects consists rather in the general disorientation accompanying their initial identification. If, in a world of dialects, I speak my own dialect, I shall be conscious that it is not the only 'language', but that it is precisely one amongst many. If, in this multicultural world, I set out my system of religious, aesthetic, political and ethnic values, I shall be acutely conscious of the historicity, contingency and finiteness of these systems, starting with my own.

Gianni Vattimo, The Transparent Society, translated by David
Webb, The John Hoppkins University Press, Baltimore, 1992