Friday, February 29, 2008

Paseo Nuevo






Com uma objectiva 28-80, 3.3-5.6, da Nikon, que me custou 53 dólares (portes incluídos, refurbished mas ok...) através de Amazon.com, saí de casa e fui tirando fotografias que não são nada de especial mas provam que a objectiva, apesar de cheap, é um achado (as cores aqui no blogue perderam vivacidade, acontece com algumas fotos, não sei porquê).

Tuesday, February 26, 2008

Leopard: many problems

Nikon Capture NX stopped working after the most recent Apple software update. Skype is not working well either. For a while my MacPro was incredible slow yesterday... I had to reboot 3 times as in old Windows... The new firmware update of the keyboard did not solve the problem of the first typed letter of a sentence... Stay with Tiger.... or whatever, Apple is disappointing everybody...

P. S. I erased the Nikon file from the Preferences in the Library, downloaded and installed version 1.3.2 of Nikon Capture NX - and everything seems to be working fine again.

"Casse-toi...

... pauvre con! " Moi je trouve que Sarkozy a tout à fait raison. C'est pas parce qu'on est le Président qu'on n'a pas le droit de déconner. Et en plus il se prend pour qui, le mec qui n'a pas voulu serrer la main de Son Excellence? "Touche-moi pas, tu me salis..." Quel culot! La France me manque...

Petit oiseau


Monday, February 25, 2008

Business

Um pouco por acaso aterrei na CNN quando ia começar o debate entre Clinton e Obama. Fiquei, curioso. Mas o programa era interrompido sem aviso nem cerimónias regularmente para passar publicidade. À medida que o programa se aproximava do fim as interrupções tornaram-se fastidiosamente frequentes e insuportáveis, um abuso. Abandonei, não tive paciência para ser espectador paciente de espectáculo tão deprimente. Business, tudo neste país acaba por ser essencialmente business.

Saturday, February 16, 2008

Sábado à tarde



Os dias passavam lentamente. Mais tarde podia dizer-se “o tempo passou tão depressa” e lamentar tê-lo esbanjado, mas agora era assim, o tédio enchia as minhas horas e a imensidão do seu vazio assustava-me. Na sexta-feira à tarde chegava a casa e sabia que me aguardavam horas e horas de solidão. Estava sol, eu sentava-me no pátio e o meu olhar perdia-se melancolicamente na contemplação da madeira das recordações, que ia viajando rio abaixo. Quantos erros, que erros tinham sido necessários para que eu me encontrasse, para além do meio do caminho da minha vida, em tão extrema solidão? Nem tudo se decide e se eu não soube construir a minha existência de outra maneira provavelmente foi porque não era possível, as nossas qualidades são também os nossos defeitos. Para quê queixar-me ou considerar que podia ter conhecido a perfeição e que falhei? O carácter vai-se formando na experiência ou é a experiência que se vai desenrolando obedecendo ao carácter? Pergunta para a qual eu não tinha resposta.

Eu tinha feito o possível por amar quem podia amar. O possível pode ter sido em muitos casos insuficiente, mas que poder temos nós contra a falta de fé e contra as razões profundas do desinteresse ou do desentendimento? E quem tem a sorte de conhecer a pessoa certa quando os caminhos da vida se emaranham uns nos outros tão facilmente, deixando-nos fora de nós, meio perdidos na floresta imensa? Eu sabia agora, ou julgava saber, que fora por medo que não aproveitara todas as oportunidades que se tinham apresentado, que fora por não saber o que fazia nem entender o que se passara - e também por me distrair por vezes do essencial a minha histeria ruidosa - que a minha vida de certo modo me passara ao lado. Podia ter sido diferente? Podia. Mas eu usara a energia de que dispunha para vencer a minha insegurança, para me proteger, para sobreviver. Fui demasiado prudente? Claro, mas a construção do futuro exige alguma cautela. Eu não me aplicara em todas as circunstâncias de maneira igual porque, concentrado em cada momento numa luta em particular, me faltaram a clarividência ou as capacidades que eram necessárias para estar inteiro e intenso em todas as frentes.


Ao fim da tarde tomei banho, vesti-me com mais apuro. Quando caiu a noite levei uma rapariga a jantar ao restaurante. Não era uma rapariga que me inspirasse algum sentimento em particular, eu nem sequer a achava atraente, mas era boa pessoa e podia conversar-se com ela se não se tocasse em assuntos demasiado complicados. Ela ia comendo, eu tentava olhá-la nos olhos, tentava achá-la bela e desejável. Em vão. Olhando-a de tão longe não me era difícil entender que também para ela aquele jantar era apenas uma maneira que se revelara aborrecida de passar o tempo. Eu via-a mastigar, lembrava-de que uma vez tentara vagamente apalpar-lhe as mamas. Ela rira-se, não me levara a sério. Eu sabia o que ela estava a pensar: “o que é que este tipo quer? trouxe-me a jantar para depois me levar para casa dele e me foder”. Não me era difícil entender que a ideia lhe desagradava e que essa possibilidade lhe parecia tão absurda a ela como a mim. Não tínhamos muito em comum e o que nos reunira fora a amizade, fora a solidão. O jantar arrastou-se, o tédio era pesado. Não era a primeira vez que eu me encontrava nessa situação. Apesar de não saber o que fazer, de não estar à vontade, repetira o erro de a convidar. No carro, quando voltávamos, forcei-me a ser amável, quis beijá-la na boca. Penso que foi uma maneira de corrigir a indecisão atabalhoada do meu comportamento anterior. Ela não quis o beijo, afastou-se. Teve razão. Eu fiquei-lhe agradecido, pois já estava de novo a meter-me em complicações despropositadas. Deixei-a em casa de um amigo dela que era gay e lhe telefonara duas ou três vezes enquanto estávamos no restaurante. Devia ser alguma coisa que eles tinham combinado antes. Quando fiquei só no carro, voltei para casa e respirei de alívio.

Para resolver o problema da minha solidão eu tinha outros projectos, mas era cedo para os pôr em prática, as coisas seguiam o seu caminho lentamente e não convinha apressá-las para não estragar tudo. Uma mulher vinha sentar-se ao pé de mim na biblioteca da universidade à tarde e lia, escrevia, olhava para mim sem dizer nada. Quando fazíamos uma pausa para ir tomar café, ficávamos sentados na pedra do muro que ladeava o jardim a conversar. Conversávamos pouco, aparentemente. Ela era uma mulher silenciosa mas atenta. Eu sentia que ela me ouvia com alguma devoção e tornava-me eu mesmo silencioso, cauteloso. Uma lentidão surpreendente, mas repousante, pontuava os nossos encontros. O tempo passava suavemente. Percebi que estava eu próprio a ficar diferente. Achei-me mais calmo, mais humano, capaz de esperar. Olhava-a sem pressas nem frenesim, espantava-me com a tranquilidade que irradiava do seu olhar e parecia dominar a sua vida. Era uma mulher paciente. E inteligente. É disso que eu necessito, pensava eu então, de uma mulher que não seja apressada nem esteja ansiosa à espera de não sei o quê. Voltávamos à biblioteca, ao trabalho. Que ela viesse sentar-se ao pé de mim duas ou três vezes por semana, quando eu ia para o primeiro andar da biblioteca ler velhos manuscritos medievais, enchia-me de gratidão e de orgulho. E embora nada nos estivesse prometido de maneira segura, eu vi-a no meu futuro como uma presença afectuosa. A minha vida ia mudar, provavelmente. Eu não tinha de me preocupar nem de me precipitar, não era necessário. Embora não falássemos dos nossos sentimentos nem do que nos traria o futuro, o facto de ela procurar a minha companhia e se contentar com estar sentada ao pé de mim bastava para me tranquilizar. Os meus dias corriam serenos, eu quase que me esquecia do vazio em que vivia.


Uma outra mulher tivera recentemente a generosidade de olhar para mim com algum interesse e emoção, eu sentira-o e ficara a pensar nisso. Estávamos no intervalo de um filme no cinema e eu não a conhecia. Percebi depois que estava sentada duas filas à frente da minha, à minha esquerda. Ela também olhou para trás quando se sentou e quando cruzou o meu olhar sorriu discretamente. Fiquei meio sobressaltado, já não vi o resto do filme em paz. Os meus olhos de vez em quando desviavam-se do ecran e precipitavam-se sobre a sua nuca, sobre o seu cabelo. Na penumbra da sala a sua figura vaga enchia-se de mistério. Romantismo. Sou incorrigível.
Arranjei maneira de lhe falar quando a apercebi atrás de mim na fila que depois de terminar o filme ia abandonando a sala. Ela não sorriu quando a olhei, mas respondeu-me quando comentei que o filme me parecera excelente de muitos pontos de vista apesar de me ter escapado um pouco o seu sentido principal. É uma história política, mas a violência do desejo na intriga amorosa acaba por diminuir a importância de tudo o resto, disse ela. Eram 10 da noite, caminhámos juntos para o parque de estacionamento. Eu já a tinha visto antes e ela também se lembrava de mim. Ficámos a conversar uns dez minutos, depois arrefeceu e separámo-nos.

Encontrei-a dois dias depois numa livraria do centro da cidade. Percebi que lhe deu prazer ver-me. Tomámos um café e falámos, disto e daquilo, de livros e de filmes, de tudo e de nada. As palavras tornavam-nos conhecidos um do outro, embora a pessoa que cada um de nós era continuasse escondida e a sua descoberta reservada para um futuro hipotético. Gostei dos olhos dela, da vivacidade juvenil dos seus gestos. Entrevi-lhe os seios pela abertura da camisa, mas o corpo dela não me perturbou, eu queria primeiro saber que pessoa é que ela era, se seria mulher para me amar e se deixar amar. Em casa pensava nela com ternura, talvez ela não me desiludisse.

Ia passando o tempo lentamente e eu ia esperando pelo amadurecimento dos frutos, sem saber o que iria acontecer. Entretanto, para não morrer de tédio, para me distrair, ia jantar com raparigas que não podia nem queria amar. E no sábado à tarde sentava-me no pátio da casa a contemplar na minha memória os destroços do passado, troncos e ramos de árvore que deslizavam na água do rio a caminho do vasto oceano. Há quem esteja convencido de que o amor é uma alegria ou uma excitação permanente. Mas a maior força do amor, a sua virtude mal conhecida, é manter a ordem nos nossos dias e na nossa vida.

Friday, February 15, 2008

Thursday, February 14, 2008

Saturday, February 09, 2008

Friday, February 08, 2008

Preocupações


Estive quase a preocupar-me com a questão da "interioridade", que o Governo decidiu resolver. Estive quase a preocupar-me ao saber que Manuel Alegre - novidade que convinha ser anunciada - não se revê neste PS. Alegre conhece em vida a ilusão da glória literária (tem dois versos no arco do triunfo da Avenida de Berna, uma estátua no jardim em Coimbra, prémios de poesia oferecidos pelo Graça Moura) e ainda se queixa, o ingrato; deve querer ir viver para os Jerónimos. Outras razões para ficar pensativo: o exagero dos orçamentos que não são respeitados, como o da reabilitação do túnel do Rossio dos comboios da minha infância. Os jornais portugueses só me trazem inquietações. Há dias eram as malandrices do Sócrates: assinou trabalho de outros, recebeu indevidamente dinheiro, segundo
O Público, que é o jornal que eu estou a citar sem o citar. Depois aquele Telmo ou Telo não sei quê que assinou 300 despachos numa noite, outra malandrice de outro político. Estas preocupações que me vêm do exterior são excessivas. Deixei de fumar, estou irritadiço. Vou ler o Record, quero ter notícias do fabuloso Scolari e da magnífica selecção.


Sunday, February 03, 2008

Dominant models




The history not only of thought, but of consciousness, opinion, action too, of morals, politics, aesthetics, is to a large degree a history of dominant models. Whenever you look at any particular civilisation, you will find that its most characteristics writings and other cultural products reflect a particular pattern of life which those who are responsible for these writings - or paint these paintings, or produce these particular pieces of music - are dominated by.

Isaiah Berlin, The Roots of Romanticism, Edited by
Henry Hardy, Princeton Univesity Press, New Jersey, 1999

The dream