Monday, January 28, 2008

Mythological explanations




Freud's theory of dreams. He wants to say that whatever happens in a dream will be found to be connected with some wish which analysis can bring to light. But this procedure of free association and so on is queer, because Freud never shows how we know where to stop - where is the right solution. Sometimes he says that the right solution, or the right analysis, is the one which satisfies the patient. Sometimes he says that the doctor knows what the right solution or analysis of the dream is whereas the patient doesn't: the doctor can say that the patient is wrong.

The reason why he calls one sort of analysis the right one, does not seem to be a matter of evidence. Neither is the proposition that hallucinations, and so dreams, are wish fulfillments. Suppose a starving man has a hallucination of food. Freud wants to say the hallucination of anything requires tremendous energy: it is not something that could normally happen, but the energy is provided in the exceptional circumstances where a man's wish for food is overpowering. This is a speculation. It is the sort of explanation we are inclined to accept. It is not put forward as a result of detailed examination of varieties of hallucinations.
Freud in his analysis provides explanations which many people are inclined to accept. He emphasizes that people are dis-inclined to accept them. But if the explanation is one which people are disinclined to accept, it is highly probable that it is also one which they are inclined to accept. And this is what Freud had actually brought out. Take Freud's view that anxiety is always a repetition in some way of the anxiety we felt at birth. He does not establish this by reference to evidence - for he could not do so. But it is an idea which has a marked attraction. It has the attraction which mythological explanations have, explanations which say that this is all a repetition of something that has happened before. And when people do accept or adopt this, then certain things seem much clearer and easier for them. So it is with the notion of the unconscious also. Freud does claim to find evidence in memories brought to light in analysis. But at a certain stage it is not clear how far such memories are due to the analyst. In any case, do they show that the anxiety was necessarily a repetition of the original anxiety?


Wittgenstein, Lectures & Conversations on Aesthetics, Psychology
and Religious Belief.
Edited by Cyril Barrett. University of California
Press, Berkeley and Los Angeles
, ps. 42-43.

Saturday, January 26, 2008

About hallucinations

"Freud seems constantly to be influenced by the thought that a hallucination is something requiring a tremendous mental force - seelische Kraft. (...) And he thinks that the only force strong enough to produce the hallucinations of dreams is to be found in the deep wishes of early childhood. One might question this. Supposing it is true that hallucinations in waking state require an extraordinary mental force - why should not dream hallucinations be the perfect normal thing in sleep, not requiring any extraordinary force at all?"

Wittgenstein, Lectures & Conversations on Aesthetics, Psychology
and Religious Belief.
Edited by Cyril Barrett. University of California
Press, Berkeley and Los Angeles, p. 50.

Friday, January 25, 2008

The fact of the matter


Obras de Patrício da Silva, compositor português que actualmente reside em Pasadena, serão executadas brevemente em Portugal:

February 10, 2008

Orquestra do Algarve conducted by Laurent Wagner performs The Fact of the Matter as a Matter of Fact at the Arena d´Évora.

February 1, 2 and 3, 2008

Orquestra do Algarve conducted by José Miguel Rodilla premieres The Fact of the Matter as a Matter of Fact, a three movement orchestral work. Concerts on Friday (Feb. 1) 21:30, Salão Paroquial da Igreja de Sagres; Saturday (Feb. 2) 21:30, Cine-Teatro Louletano, Loulé; Sunday (Feb. 3) 12.00, Teatro das Figuras, Faro.

Thursday, January 24, 2008

Impossível

Há muitas pessoas que não são pessoas. É impossível amá-las. Mas podemos dar-lhes encontrões.

Sunday, January 20, 2008

Carícias/Carícies

É um filme catalão de Ventura Pons e Sergi Belbei. Uma série de short stories: incisivas, brutais, de uma secura ou dureza que choca. O filme, de 1998, é a adaptação de uma peça de teatro de Sergi Belbei. Impressionou-me.

Tuesday, January 15, 2008

Dieu le sait


Comecei a ler um livro de um escritor português muito conhecido e traduzido. Leio por obrigação, mas admiti que podia, lendo, mudar de ideias a respeito do escritor. Duvido que mude de opinião. O monólogo interior depois de James Joyce está ao alcance de qualquer estudante de literatura que saiba escrever, portanto inspira piedade ver um escritor que visivelmente ignora as suas limitações praticá-lo sem parar e por vezes em frases mal escritas - para acumular banalidades sem interesse. Misturar dois ou três fios de intriga, não respeitar as regras tradicionais de pontuação só seria interessante se o assunto em si, o assunto do livro, fosse interessante. Não é interessante, é uma estopada. Histórias de famílias burguesas nem contadas para as caricaturar têm já qualquer interesse, prova-o o escritor. A burguesia portuguesa nunca teve qualquer interesse. Quem escreve sobre ela assim também não. O escritor, quando sai de casa, devia prestar atenção ao que se passa na rua. Duvido que o faça, porque das pessoas comuns, que não são velhas tias nem avós nem generais, por exemplo, parece-me que ele só vê a carapaça exterior, as suas personagens são como insectos a esbracejar numa caixa de vidro. O que interessa mais o escritor é o universo das familias burguesas. Aí há gente, nesse universo bolorento os insectos assemelham-se a gente com interioridade, destino e desígnios. Velhas decadentes mas elegantes, generais a cavalo ou a pé em retrato na parede da sala, coisas assim, velhas famílias nacionais. Lugares comuns: o escritor não vai ao fundo de nada, limita-se a cronicar - como se falar dessa gente de maneira superficial pudesse ser interessante. O escritor fala das criadas de servir, de que nunca se esquece, como os generais e as velhas tias falariam delas. Estava a ler e perguntei-me: o que é que está por detrás desta prosa abundante e esforçada, deste estilo infantil, enfadonho e gasto, que transpira suor por todos os poros e não vai a lado nenhum aonde valha a pena ir? Porque é que as pessoas escrevem, acreditam no poder de sedução de algumas frases, publicam livros com a sua fotografia de pensativo na capa, embelezam e exageram tudo com ingénuos intuitos artísticos, dão entrevistas em que falam de ter escrito e do que escrevem? Porque é que as pessoas perdem tempo e se enchem de ilusões inúteis e prejudiciais a ler a prosa ou a poesia desnecessárias de alguns escritores tidos por consagrados? Porque não vão ao futebol, ou à praia, ou a um bar beber cerveja em vez se preocuparem, sem sentido crítico nem sensatez, em ser estupidamente cultas? Dieu le sait. Mas há sempre um catedrático disponível, um louco ou uma louca, que acha muito proveitoso e interessante. Que Deus, se existe e tem piedade da vaidade dos escritores, proteja aqueles que andam perdidos no caminho da vida. Eu, se voltasse à universidade agora e lá reencontrasse alguns dos meus professores - eu disse "alguns" - não os levava a sério, havia de achá-los doidos varridos.

Monday, January 14, 2008

Get stressed

Um livrinho delicioso que Paul Watzlawick não desdenharia divulgar: The little book of stress, Calm is for wimps, Get real, Get Stressed. By Rohan Candappa, Andrews McMeel Publishing, Kansas City, 1998.


Friends

Chose friends you don't like.


Practice button pushing

If you have free time during the rush hour, find a pedestrian crossing and repeatedly push the button to stop the traffic. Never actually cross the road.

The remote control stratagem

Find out when your friends' favorite TV program is on. Then call them seven minutes after it starts.

Rejoice in small print

Small print annoys everyone. The people who read it. The people who don't read it. Even the people who write it.

It's better that they should know

Recognize other people's limitations. Then tell people what they are.

Know limits

Recognize your limitations. Then ignore them.

... e o cão


A lot of noise, but anyway... (zoom Nikkor 18-200, at the end of the day).

Sunday, January 13, 2008

Marx revisto

O homem é o que são as condições de produção... da serotonina.

Praia

Thursday, January 10, 2008

Leopard and slow internet connection

I am not the only one having problems with the internet connection after I installed Leopard. Sometimes it's slow, very slow, very very slow; sometimes it says "site not found". Apple is becoming as unreliable as Microsoft. And they make you pay as if they were the best...

Monday, January 07, 2008

Incontroverso

Às vezes bastava uma frase, mas escreve-se um poema. O poema é uma narrativa longa, explícita, complexa, tem a ver com uma intriga; segue-se ou não, entende-se ou não, adere-se ou não, gosta-se ou não. Uma frase límpida, dois versos, é uma narrativa muito longa mas condensada em pouca, breve, incontroversa fala:


The nocturne, the antique, the blue-green pines
Deepen the feelings to inhuman depths.


Wallace Stevense (excerto de "Parochial theme")