Friday, November 21, 2008

Sobre os mortos

Honrar os mortos é honrar os vivos. Os antigos gregos honravam ou aviltavam os mortos segundo o respeito ou desrespeito que tinham mostrado, no seu comportamento, pelas leis da cidade. Não somos cães, não é?

As palavras ditas diante dos mortos conseguem às vezes ter sentido e transmitir emoção verdadeira. Mas quando se escreve sobre os mortos cai-se quase sempre numa banalidade confrangedora. Encontrar palavras para a dor, para a perplexidade, é muito difícil. Por isso o discurso sobre a dor é em geral pobre: em vez de nos calarmos, falamos em vão. A experiência directa da morte é chocante porque a morte acontece com a mesma ilusória banalidade com que se fecha uma porta ou uma folha cai de uma árvore.

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