Monday, June 23, 2008

Kant


Kant, dizem alguns dos seus tradutores, escrevia mal, o que tem posto imensos problemas de interpretação aos seus leitores. É muito contestado, pressente-se um pouco porquê, mas é preciso lê-lo pacientemente até entender e passar à frente, a outra coisa. Kant fartou-se de inventar classificações e conceitos. Bem? Mal? Pôs uma ordem aceitável e útil no caos? Opor a "razão" ou o "entendimento" à "intuição" ou "imaginação", como ele fez, para explicar o modo de funcionamento do espírito, parece-me muito curioso. "Pensar" são duas coisas, divide-se em "entender racionalmente" e em "imaginar"? "Intuir" é a mesma coisa que "imaginar"? "Raciocionar" é diferente de "imaginar"? "Imaginar", "imaginação", serão as designações correctas para designar aquilo a que parecem referir-se? É na "imaginação" que se processa previamente o prazer designado por estético - e isto à margem da "razão", que só intervém depois? O gosto não se explica? Eu não identifico as qualidades do objecto que me levam a apreciá-lo "esteticamente" ou a desinteressar-me dele? Eu não sei por que razão a leitura de Os Lusíadas, por exemplo, me dá prazer nuns passos e me aborrece noutros? Quando "imagino", não estou a "pensar" nem a "entender racionalmente"? Há qualquer coisa nesta história que não me convence. É lamentável que não haja uma cadeira anual obrigatória de Filosofia, dada seriamente, nas Licenciaturas de Letras em Literatura.

No comments: