Thursday, June 26, 2008

As duas maneiras

1. Através da linguagem tentar dizer (investigar, para compreender) a experiência que é nova, para a qual não temos ainda as palavras. Pode acontecer que na experiência nova haja ou pareça haver elementos ou vestígios (não organizados, porém, e até muito confusos) de experiências anteriores. O que não simplifica e até pode dificultar as coisas. Os limites da linguagem e os nossos limites tornam difícil o projecto. O sucesso maior ou menor da tentativa é incerto e só mais tarde se poderá avaliar. Neste caso a inspiração é fornecida pela experiência.

2. Mas há quem faça as coisas ao contrário: usar a linguagem para inventar uma experiência nova, que não se teve mas se procura ter. Os resultados podem, apesar de o ponto de partida ser a linguagem e não a experiência, ser interessantes porque as palavras e as frases têm uma dinâmica própria e sempre têm algum sentido. Mesmo que não tenha havido intenção ou projecto claro – uma experiência a tentar compreender, reconstruir ou reconstituir - as palavras e as frases bruscamente trouxeram para o campo da experiência sugestões, sentidos imprevisíveis mas fecundos. Neste caso a inspiração tem como ponto de partida a linguagem.

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