Saturday, May 17, 2008

Pensar com lógica

O facto de eu não gostar de maçãs, de Mercedes-Benz, de Paris, de chocolate - isto são apenas exemplos, não estou a falar dos meus gostos pessoais; evidentemente que não... - não impede que a maçã seja fruta, que o Mercedes seja um carro, que Paris seja uma cidade, que o chocolate seja chocolate. Aplico esta regra à literatura, à poesia por exemplo, e fico confuso, pois nem tudo o que se designa por poesia é poesia para mim. Por que razão sou mais severo com o uso das palavras do que com o resto? Não sei. Mas imaginemos outra situação: a maçã afinal é de plástico, embora esteja tão bem feita que não pareça; o Mercedes-Benz é apenas uma extraordinária maquette de cartão; o chocolate é de borracha, a imitar. De acordo, não são "the real thing", têm outra forma de existência, mas existem e podem ser apreciados pelo que são. Se não me tivesse ficado o problema de Paris por resolver já estava descansado. Aceito, por isso, mesmo sem perceber porquê, que seja poesia aquilo que, sendo considerado ou rotulado de poesia, me passa totalmente ao lado como poesia. Fica-me um segundo problema por resolver: o que é a poesia para mim, então? É disso que tenho andado a falar, para tentar perceber.

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