Saturday, May 17, 2008

Os dias

Nunca mais voltou
aquela que era esperada.
Mas na madrugada o ar
frio, a luz nascente, o
silêncio evocavam a ausente
como se à força de esperar
uma tarde ela se sentasse à
nossa mesa do café e de novo
nos contemplasse, perplexa,
sem aviso começando a falar
daquilo de que não se pode
falar. Repetiam-se, lentas,
as horas. E os dias a si
mesmos. A ideia do destino,
como uma árvore que secara
há muito tempo, sem
convicção perturbava o lodo
do pântano. Bateu as asas
um pássaro? Caiu do ramo
seco uma folha? Os olhos
seguiam o movimento, os
ouvidos prestavam atenção.
Aquela que seria amada
não veio buscar o amor.
O coração do homem,
indeciso, batia sem razão.

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