Sunday, April 27, 2008

Mas o barro


Tinta preta no papel
ou rasgão na cortina do
espírito: equivalem-se.

Os sábios charlatães irritam
a modéstia dos espíritos simples.

Os corações não sangram
realmente,
mas como
imprimir noutra
imagem
que nos dilacera
a confusão?

Morremos, esquecem-se de
nós
(e nunca existimos).

As palavras,
como o barro,
prestam-se
a múltiplas formas.
Mas o
barro esfarela-se e as palavras
são maleáveis até à náusea.

Escrever, atento, no deserto.
A ausência do amor é tão fecunda.

SB, 22 de Setembro, 2003

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