Sunday, April 27, 2008

Esforço

As desertas ruas asfaltadas
e os adormecidos arbustos
na noite escura. Um
automóvel atravessa a negra
noite, luzes vermelhas cintilam
no canto dos olhos ocupados.
Poesia assim: um gelado,
um pudim, uma carícia, um
devaneio superficial talvez
à beira-mar. Isto é:
emaranho os fios; teço,
poupado e atento; sufoco
o que não tinha para dizer;
e digo, com palavras trabalhadas,
o mundo; o sem sentido construo,
artisticamente. Longe, na pátria,
o poder transpira os seus suores:
tanto esforço, tanta televisão,
tanta ambição desmesurada.
Eu só penso em adormecer,
feliz, ausente desses lugares
insalubres e insolúveis.

SB, 20 de Julho, 2005

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