Thursday, March 13, 2008

Intertextualidades



A actualidade é sempre fecunda. Na minha memória alguma coisa, bruscamente, saiu da sombra. Vou reler Leo Spitzer.

Se o Sporting não ganhar ao Bolton, arrumo também essas botas, pelo menos por algum tempo. Já basta de aborrecimentos que me chegam por causa dos outros.

Se a literatura fosse coisa tão marginal , se se pudesse definir a literatura caracterizando-a como "aquilo que por natureza é marginal", não havia a escrever sobre ela nos jornais as pessoas que lá encontramos - pessoas de quem a mentalidade no poder gosta o bastante, pois de outro modo não lhes dava papel para pintar com letras. Nem havia nas livrarias tantos livros em cima das mesas e nas estantes. Sejamos claros: há marginais chatos e marginais interessantes, marginais inteligentes e marginais estúpidos, portanto ser marginal só por si, I'm sorry, não significa nada. O "valor" precisa de razões suplementares. E só há dois tipos de literatura: a boa e a má. Depende da capacidade, da necessidade e dos gostos de cada um.

Provavelmente nunca deixamos de amar aquelas que amámos.
Como fantasmas inexistentes a acenar-nos do meio do nevoeiro. Mas amar fantasmas leva-nos por estradas de bruma e faz de nós seres irreais. Perdemos os contornos, a realidade perde os contornos. É capaz de ser perigoso. Talvez não seja. Elas, entretanto, ligeiras, descuidadas, pintam-se e perfumam-se de manhã antes de sair de casa. Andam por aí a enganar os espíritos incautos prometendo-lhes o paraíso que nos recusaram a nós.




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