Friday, June 29, 2007

"Love mean home"

You don't need to be a expert in any language to write a novel in it and become famous:

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Love mean home. Or, home mean love?

The fear of without home. Maybe that why I love you? The simple fear?
I am building the Great Wall around you and me because I am too scared to lose the home. I been living in that big fear since my childhood.
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Xiaolu Guo, A Concise Chinese-English Dictionary for Lovers, Chatto and Windus, London, 2007

Tuesday, June 26, 2007

Blair and the pope

You may be responsible for the death of thousands of people. You may be a vulgar liar. No problem. You travel to Rome and you appear in television talking to the pope - with a retiring smile in your laundered hypocrite mouth. That's what they have to offer us today in what regards moral values.

Wednesday, June 20, 2007

Um poeta brasileiro

ninguém o ama
ninguém o quer

ninguém lhe chama
nicolas behr

p. s. meu

ele se queixa
mas sem razão

quer ser animal
de estimação?

Wednesday, June 13, 2007

Inteligentes

Não sei se acreditar no que se escreve nos jornais. Afinal nos jornais não é Deus que escreve, são uns gajos e umas gajas como nós mas que se tomam pela divina inteligência. A mim já não me impressionam há muito tempo.

Segundo o jornal O Público de hoje, o advogado de Pinto da Costa desvalorizou a acusação de corrupção desportiva de que é objecto o presidente dos campeões nacionais - porque esta assenta "nos mesmos factos que levaram ao anterior arquivamento do inquérito". Parece-me que há pelo menos uma diferença que escapou ao advogado: é que desta vez a veracidade dos factos vai ser julgada no tribunal. Ou sou eu que não entendo nada de Direito?

Segundo o mesmo jornal, José Saramago terá dito que a esquerda actual "é estúpida" e que os governos "estão a tornar-se comissários do poder económico".* Eu fiquei pasmado: é só a esquerda que é estúpida? e só a esquerda actual? Além disso não me parece novidade por aí além afirmar que os governos sejam "comissários do poder económico". Não é isso mesmo que o próprio Saramago - e não o estou a acusar de mentir - tem dito sempre? (Post scriptum: o que é a esquerda? o que é ser estúpido?)

* O jornalista escreveu "tornar-se em". Por influência de "transformar-se em"?

Tuesday, June 12, 2007

Mao e Derrida

Encontro um papel onde tinha escrito: Mao Tsé Tung e a "revolução cultural chinesa" precursores de Jacques Derrida? Imagino que a minha interrogação deve ter sido inspirada pela fixação maníaca de Derrida no "logocentrismo".

Sunday, June 10, 2007

Salut... Slut

Mandei um email a uma amiga com quem troco correspondência em francês e inglês. Como "subject" escrevi "Salut". Ou antes, pensei que escrevi, porque o que escrevi foi "Slut". É assim que se arranjam sarilhos imprevistos. Por causa de um "a" que fugiu...

Na cozinha (museu, UK)

Thursday, June 07, 2007

A lot, a few

Estava eu sentado no Mercury, lá fora, a beber uma cerveja e a fumar um cigarro, quando vieram sentar-se ao pé de mim duas raparigas e dois rapazes (gente fina, como diria o M., que entretanto virou monge e já não tem ido ao Mercury). A ouvir a conversa deles percebi que a loira que ficou sentada ao meu lado era cabeleireira e tinha vinte e dois anos. A dado momento ouvi-a dizer calmamente, sem mexer uma sobrancelha sequer: It's better to have a lot of sex with few people than to have just some sex with a lot of people, don't you think? Os outros aprovaram e o flirt continuou. Eu fiquei pensativo. Não é que eu não estivesse de acordo. Não tinha era pensado nisso o suficiente nem imaginava que fosse tão simples decidir. Em resumo: quando se sai de casa sempre se aprende alguma coisa.

Tuesday, June 05, 2007

Mudam-se os tempos

A linguagem da paixão é imoral, imortal, boçal,
sobrenatural. Tanto se lhe dá. Ele, pensativo.
Sentou-se num banco da cozinha ao serão.
Ironicamente. Pudera. Quem sofre, alienado,
baralha-se.
Quem não sente, morde-se. Recusar.
Sempre. Suicidar-se
está longe de ser uma ofensa.
Ficam as putas e
os vermes à solta, sem o nosso
carinho ancestral. É triste, é pena. Sobrevivem
os virtuosos?
Sei lá. Masturbar-se obriga a adiar a
dissecação
do cadáver, essa vocação. Tão amado,
tão apalpado e apaparicado,
o odioso. Repelente.
Esguicham-lhe dos olhos esvaziados os esperma-
tozóides, essa praga. O
rosto do mundo. Deus, ó
Deus, se existes, restitui-me
a inocência, restaura-me
ignorante. O amor. Não me o
negues, ó Deus dos
bordéis que proteges da destruição
todos os vícios.
Não, não quero a redenção através
do sucesso. Never.
Chupa-chupa? Quadradinhos de marmelada?
E o
chocolate em pó? Bolos enrolados da infância.
Fuck you.
You will not get me. But you can try.
Connard, vas-y si t'as le courage, couillon. Putain.

Êxtase. Blow job com sabor a chocolate. Podia ser.
À bela, repousada sombra dos plátanos. Deitados
na relva. Eu por mim. Mas não tenho o controle dos

sabores do meu corpo nem dos meus líquidos. Nem me
interessa. Tu preferias, talvez. Contenta-te com o que
há. Não desesperes. Vai chupando. Soluça de alegria.
Oh, espasmos. Inundações. Tocam os clarins, nasceu o
senhor. O reizinho nu.
Ó, os teus triunfos. A tua sedução.
Palo Alto. Firme.
O teu mérito escondido nas alcovas
dos hotéis de terceira
categoria. Nem lençóis. Não se
sentia puta, mas. Há toda
uma literatura sobre a
vaidade humana e sobre o nosso
ondular soberano
nos carrosséis de cartolina. Por baixo,
nos alicerces da
casa, fornicam os ratos. Nas praças antigas da cidade
sorriem com dentes muito sexuais as desamparadas da
inteligência, as tolinhas da província. Cabras, filhas de
cabras, pastam nos jardins de Belém, com os Jerónimos
ao fundo. Mé. Mé. Mé. Camões ainda
acreditava no
amor. Linguagem profunda do conhecimento.
O jovem
futuro casal sem futuro, que se lambia mutuamente a
pele suja em orgias alccolicamente românticas, foi
fazer compras à Ikea. Cama, mesa, cadeiras. Belo
jardim nas traseiras. Rãs aos saltinhos.
A menina
camponesa cumprimenta o patrãozinho que lhe
há-de ir ao cu. Se o papá soubesse. Para consumo
artístico, o amor? E o casamento? Com flores.
Rendinhas. Talheres de prata. Loiça de Vista Alegre.
Brancura. Sou totalmente
ignorante em questão de
contratos, de objectivos. De drogas,
de excrementos,
nada sei. Sim, sou burro. Há especialistas,
porém.
Não creio? Eu? Que parvoíce, claro que sim. Sou crente.
A vida nunca se
sepultou no túmulo da arte. Jamais.
É uma recusa inabalável. Dela,
da vida. Sensatez, porém,
decisiva. Sim, eu sei. Sim, a arte. Sim, talvez o
sublime.
Religiosamente. Amen. Relações que se prestam a
eternas
investigações e argumentos. Sábias descrições.
Sapientes
durante uns segundos, um século. E depois
o barco, todos
os botes se afundam. Carregados de
conceitos, de verdades,
de consolações, de frutos
desprezíveis do tempo que passou.
Por nós. E a roupa
gasta, abandonada, fora de moda. Proteger-me do
entusiasmo e das fontes secas. Perigo. Sim,
pensei nisso.
Seriamente. A ostra. Sem pérola. Apesar de praticarem
também a
ironia, embelezam o lixo da linguagem
em versos sexualmente impotentes,
cheios de remela.
As macacas do nariz, ó menino do coro, ó rapaz, ó
rapazinho. Ó grilo.
Não as puxes para baixo. Nem às
calças, nunca as baixes ao entardecer, quando vais
na rua a caminho do pub. Quem te vir pode enganar-se
a teu respeito. Quem pode circular na rua nua? Só tu.

Comprometer-te? Para nada. Estiveste no restaurante,
querias levar-me lá para eu acreditar. Perguntamos ao
garçon, vais ver que não te menti. Pois. Não sabem.
Não se apercebem. Infinitamente dóceis. Manter a forma.

O que se crê linguagem poética serve para distrair do
que podia ter alguma importância se. Se se. Se em vez
desta realidade nos tivessem dado outra como exemplo
do mundo. Embustes.
Pesadelos. Tudo fora do tom. Anda,
vem jantar, ó bajuladora, ó leprosa, ó
espermatozóide
vencedor da maratona daquela tarde. Traz as mamas
jovens à vista no decote de seda. Ó
campeão olímpico,
vem connosco. Traz a bandeira nacional, símbolo da
nossa unidade inalterável. Perder sem sentimento de
culpa? Talvez ao alcance de
alguns. Será. Não estou
seguro. As medalhas contam. Os melhores provavel-
mente. O
que dão a ver aos outros aqueles que, pelo
contrário, etc.? Cegos. Manetas. Dançarinos. Coxos.
Zeros. Emlambuzados.
Vêem as sombras das árvores
na floresta negra? E o meu
perfil de gato anestesiado,
de cão subjugado. Vêem? Aqueles a
quem uma
tenebrosa lucidez. Sabe-se, assusta. É inacessível.
É um edifício. Sobe-se, desce-se. Tropeça-se nas
escadas. É-se vítima da
velocidade do elevador.
Zzzzz por aí abaixo. Catrapuz.
A irregularidade
das montanhas. Declives súbitos. A cor dos
sentimentos? Vertigens. Vómitos. Remorsos.
Sem provas.
Espíritos fracos. Sem salvação.
Pesados, no entanto sem força.
Sugados pelo
vazio do precipício, ventos irascíceis da eternidade.
Engolidos. De que serve entender?
Blasfemar?
Sem se distanciar? Sem ter influência?
Sem agir?
Por muito que tenham desconstruído. Pensei um
pouco. Abri
uma garrafa de vinho, comecei a beber.
O destino? O
sentido? Como se me importassem
ainda os pormenores.
Ela falou-me das minhas mãos
como se eu. Enfim. E
dos meus olhos como se eu.
Enfim. E do meu corpo, não
sei quê, momento
privilegiado. O meu corpo de cão ensimesmado.
Levitra, disse eu, meio cínico, enigmático. Eu cioso.
Estou-me perfeitamemte nas tintas para as razões do
desejo. Odeio o sexo em si mesmo. Altivo, caricatural,
arcebispo de catedral ruidosa.
Ao que a gente tem de
descer para alcançar a dignidade social. Merecer a
puríssima óstia.
Quase sete dólares, imagine-se. Não
vale a pena exagerar. A minha transpiração: era o
ressentimento, era vingança. Fácil, aliás. Sem hesitações.
Recompus-me, refiz-me um ego novo, capaz de durar.
Depois neguei tudo. Detestei-me. Impuro. Sem ideal nem
refúgio
que. Nada de pessoal. Juro. Trágico ainda: os
que
imaginam que falar, babar-se, redime da morte.
A morte,
dizem, é ficção ainda, puro remastigar de
papel, uma osga abstracta. Uma ostra em que ninguém
consegue penetrar. É preciso a faca. E então começa
a esfarelar-se o cálcio branco nos rebordos. Foge-lhe
a forma
. Nem consigo imaginar. Muito curioso. Falta-
me o rigor científico. Distraio-me entre nada e o infinito.
Obsessão da doença. Não fui eu quem começou. Juro.

Sunday, June 03, 2007

Controlar?

O que é que eu disse? Coisas muito simples. Por exemplo: o que significa controlar? Eu controlo-me para não sair fora de mim, para não me comportar desrespeitando excessivamente as normas que regulam as situações em que me encontro. Não quero aborrecimentos. Não quero chocar ninguém. E acrescentei: os sinais de trânsito controlam-nos. Sem eles, andar de automóvel transformar-se-ia numa aventura arriscada e as cidades, por exemplo, viveriam numa permanente barafunda. Ora bem, disse eu ainda, se você diz que o Jorge do Primo Basílio do Eça está a querer controlar a mulher quando mostra o seu desagrado por ela se dar com a Leopoldina, eu não digo que você não tenha razão. E mais tarde, estou de acordo consigo, quando o Jorge pede ao Sebastião, um amigo, que vigie a mulher e a aconselhe, está ainda certamente a querer “controlar” o comportamento dela. Mas o que é controlar? Ele é o marido, ela é a esposa. Eles amam-se, mas ele conhece-a o suficiente para saber que ela é ingénua, não tem experiência da maldade. O que ele diz à mulher é o que um pai diria à filha. É correcto, é incorrecto? Pelo que compreendi ao ouvi-la falar a si, este tipo de atitude é inadmissível porque ninguém tem o direito de controlar ninguém. É possível que você tenha razão. Que você me acuse de querer controlá-la a si só porque eu tenho sobre esta questão um ponto de vista diferente do seu também não me surpreende inteiramente. Vocês, americanos, provavelmente vivem na sociedade mais controlada que alguma vez existiu. E reagem contra esse domínio que se exerce sobre cada um de vocês neste pais ficando hipersensíveis a todo e qualquer uso de poder. Mas eu acho que vocês exageram. E sobretudo surpreende-me que você não queira compreender ou seja incapaz de compreender que controlar tem a ver com a lei, que a lei é sempre repressiva, que deve haver por conseguinte boas e más formas de controle. O Jorge não ameaça a mulher, não lhe bate, não lhe fala com rispidez. Antes pelo contrário, acho-o suave na maneira como exprime o seu desacordo sobre as relações de Luísa com Leopoldina. Se eu lhe lembrar que o que acontece a seguir no romance dá razão a Jorge, você diz-me o quê? Que a Luísa tinha o direito de trair o marido e de ir para a cama com o primo? Mas não são vocês, americanos, que exigem fidelidade absoluta nas relações amorosas e acham inaceitável qualquer forma de cheating? São. Se quer que lhe diga, estou um pouco farto destas conversas. Não entendo as vossas histórias. Este país vive de contradições mal resolvidas, que coexistem absurdamente umas com as outras. Você dá-se conta de que ao acusar-me de a querer controlar só porque defendo um ponto de vista diferente do seu me está a intimidar? Por que razão é que vocês, americanos, passam a vida a intimidar as outras pessoas, a defender-se ou proteger-se de ataques exteriores imaginários? Porque razão é que vocês interpretam as relações humanas sempre a partir de critérios do tipo “luta pelo poder”, “tentativa de controlar”, “abuso”, "lack of self esteem", "sociedade patriarcal"? Não tenho paciência. Não se pode falar consigo. É impossível. Você está sempre desconfiada, baixa a cabeça quando não está de acordo para que não a aborreçam, mas não muda de ideias. Se pensa que me vai controlar dessa maneira e intimidar-me com a sua atitude inflexível e os seus exageros de militante feminista está enganada. Fique lá com a sua opinião, deixe-me ficar com a minha. E repare que a maior parte das suas colegas que participaram nesta discussão não está de acordo consigo. O que prova que quando pensamos conhecer um país conhecemos apenas uma parte dele. Parece-me uma boa conclusão, fico-me por aqui.