Tuesday, December 04, 2007

Anarquia

Onde eu moro há um parque de estacionamento com muitos lugares na traseira dos edifícios. Nunca está meio, muito menos cheio. Os meus vizinhos preferem estacionar na beira da estrada, ao lado dos caixotes do lixo, em cima do passeio, em qualquer canto ou espaçozinho - sempre mais perto da porta de casa. Fazer dez ou vinte metros a pé assusta-os. Não entendo, acho prova de anarquia e sub-desenvolvimento, de enorme falta de respeito pelos outros. Nas ruas e na estrada é a mesma coisa. Há uma camioneta parada logo depois de uma curva a descarregar não sei o quê; uma carrinha parada na via de circulação do outro lado da rua quando havia, pertíssimo, lugar para estacionar logo ali; um carro estacionado em segunda fila mais acima, à direita; e duas senhoras a conversar tranquilamente no topo da avenida, antes da curva, num carro parado na faixa de circulação. As ultrapassagens pela direita, pela esquerda, mal a gente abranda numa rotunda, são frequentes. Carros colados a nós na estrada, com a febre da ultrapassagem, quase a baterem-nos nas traseiras, é o corrente. Isto é um país de selvagens exaltados, alegremente egoístas e descuidadamente irresponsáveis. É perigoso, irritante e insuportável. A polícia da cidade já nem se preocupa com isso, pois não actua, permitindo a barafunda. Em contrapartida as limitações de velocidade actuais em Lisboa são por vezes absurdas, mas como dão multas e dinheiro para a autarquia... as câmaras vão tirando as fotografias... Ras le bol.

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