Saturday, November 10, 2007

O vento

Assobiou o vento nas janelas
da noite. E a terra, silenciosa,
dormia. Escuridão. Os olhos
do moribundo, na cama do
hospital, abriam-se, o medo
da morte confundiu-se no seu
espírito com o galopar do vento,
com as gargalhadas do palhaço,
com o estertor dos animais
degolados pelo homem.
Escravidão, a vida. Arranhão
invisível na parede do tempo.
Alegrias, esperança, a dor?
Uma lâmina de vidro, fina,
debaixo dos nossos pés
quebra-se, corta-nos, corre
o sangue. A janela caiu, o
muro tremeu. Fim do mundo.
Era o vento apenas, voz
falsamente tenebrosa. Aonde
ia? Tapava-lhe o caminho a
casa? Enfeitiçava-me a música,
explosão contida a escapar-se
pela garganta da montanha.
Depois fiquei com sono, creio
que adormeci. Sonhei?

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