Sunday, May 20, 2007

uma tarde

a abanar a mão enquanto a porta se ia fechando.
claro que sim, claro que sim. falar só por falar?
como era possível enredar-me em ficções
que faziam sofrer? disposta a abrir-me a alma.
despropositada: nunca me fizeste mal. deve
haver o quê? que queremos que haja? engano,
nós nem nos conhecíamos. ela falou para ficar
de consciência tranquila. do we know? do we?
eu ouvi-te. conciliadora. é fácil, depois do crime.
amor? é possível, mas pode duvidar-se. que riso.
encolheste-te na caixa do elevador o mais
que pudeste. estou a vê-la, meses antes, na margem
do rio. falou, deitada em cima da cama do palavreado.
há quem fale para convencer. mas foi a última vez.
meti as mão pelas tuas calças a dentro: não faças isso.
sem consideração nenhuma pela pessoa que estava a ouvir.
confusa. escondida, envergonhada. figura branca a
dissolver-se. momentos antes, quando te abracei, o teu
corpo quase desaparecia. nojo. por detrás de todas as
tuas traições. amor ainda. do we know? do we? obrigado
por tudo. porque falaste tanto dessa vez ao telefone?
portas escancaradas, as janelas da sinceridade abertas.
não saíste a voar pela varanda porque não tinhas asas.
what does it mean to say something? vieste com pés
de lã e um sorriso nos dentes. subitamente. feroz.

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