Friday, May 25, 2007

folhas

a carne firme do tronco. cresciam
as paredes da casa. abandonar as
palavras erradas. como se faz um
livro? a ver as folhas dos plátanos
esvoaçar. castigo desconhecido.
cheio de remorsos. ninguém deu
por nada. nem pela tua vez. nem
sequer as mãos cegas irresponsáveis.
ao serviço do dizer. depois fui para
casa. alguém que não chegou ainda.
não sabes viver só. os dias como
folhas soltas. caem da árvore
ao encontro do destino. o amor.
escolha? nem tentavas responder.
dias perdidos. riscados no calendário.
à solta da intenção. tu sentado no café.
sofrias. existe a dor. póstuma? nem
ódio. não vinha a propósito. falei-te.
construir. aquilo a que se chama.
eu vi-te de passagem. mais nada.
que sentido? erro? prolonga-se o
malentendido. por arrepender-me.
meu amor onde estás? não me serviu
de nada. dormi mal. existência discreta.
ao fundo do café. está ao nosso alcance e
às vezes escapa-nos. o sentido obscurecido
da linguagem. como folhas soltas que
voam da árvore. estava só sentado
ao fundo da esplanada. vieste parar
aqui e tentar. isso ou. as palavras que
para mim. ou o rosto de alguém
que não se deixava adivinhar.
inquieta. que te atormentava?
o amor também te importa ? domingo.
mistérios. o tempo. arrefece vai chover.
deram por quê? sempre tiveste saudades
dos lábios e da caneta. eu na verdade.
os dias não se juntam. sem destino acabam
por perder-se. sentada no café falavas.
com quem? a desordem da ausência. sabia.
não devia. os olhos que nos folheiam. mãos
dos plátanos. terão para ti algum sentido
em particular. os livros. como folhas que
esvoaçam. fixavam descobriam em nós
sentimentos. não. nunca entendi. quando
falei deve ter sido com o sentido das
palavras entrevisto nos sinais em que ele
partiu. não sabia. quantas vezes me escapou
nas lajes do cours mirabeau. o futuro. so
sorry. fatalidade? éramos teus. podem ter-se
dado conta sem tu veres sem eu saber de nada.

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