Wednesday, May 02, 2007

Fantasia

Qualquer caneta, qualquer papel me serviam para me queixar. Os cometas luminosos que atravessam os céus escuros vão tão velozes pelo ar que nem se sabe se estiveram onde passaram. Assim era a imagem que me apetecia empregar para falar do teu desaparecimento. Mas não me restava ingenuidade literária suficiente para me pôr a falar como um pobre louco no meio da rua às cinco da tarde. Por isso calei-me e não sabia o que fazer. Acendi um cigarro, baixei a música da rádio, fiquei a meditar no meu passado e no meu futuro.

Tu tinhas-me feito companhia durante alguns meses. E nem sequer podia dizer que te conhecia. Uma história curiosa, não é?

Dos que julgamos amar ignoramos às vezes tudo. Mas podemos dizer-lhes as palavras que não se dizem a ninguém, falar do nosso amor como se ele tivesse existência real. Cansado, sonolento, apetecia-me abandonar e ir dormir.

No dia seguinte iniciaria nova etapa da minha existência. Iria à praia, esquecia-me a pouco e pouco do grande amor que tu me tinhas tido e que eu te dissera que sentia por ti.

Olha, sê feliz, na tua casa com vista para a praia ou as montanhas. E esquece-te definitivamente do amigo que te distraiu durante alguns meses, dessa última fantasia da tua adolescência.



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