Sunday, May 20, 2007

exigente

às vezes.
às vezes não me entende, acha que eu fui mau com ela e eu fui apenas tímido ou desastrado.
beijo-a no pescoço, no cabelo, ela enternece-me.
creio que estou mal habituado, que não percebi ainda que ela é frágil, insegura, sensível.
depois falámos.
ela responde: acho, mas não me faças mais perguntas, neste momento não te posso responder.
estás sempre insatisfeito, diz ela, não é fácil para mim lidar com a a tua insatisfação.
mas se começo a acariciar-lhe o rosto ela fecha os olhos, fica perturbada e foge das minhas mãos.
eu sou uma besta.
mas sei que vou esperar.
não acredito em mais nada.
não é isso que ela quer, ela só me pede paciência, que não acelere as coisas.
não entendo.
não estou habituado a esperar pacientemente pelo amor, por exemplo.
não me pressiones, neste momento estou deprimida e tu sabes isso.
não me resta mais nada.
não mereço tanto.
não paro de pensar nela mas ela está deprimida.
nem sempre.
os lábios dela são quentes e macios, gosto de a beijar.
pela primeira vez fui a casa dela.
pergunto-lhe: que lugar é que me vês ocupar na tua vida, achas que me podes amar?
por isso às vezes apetece-me fugir-lhe.
quando cheguei ela encostou a cabeça no meu peito, gostei.
que posso fazer?
sei, digo eu, mas tu excluis-me dos teus problemas, não recorres a mim nos momentos difíceis.
tu és demasiado exigente, diz ela.

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