Sunday, February 25, 2007

Peixe assado

Pode existir uma inflação da literatura dita literatura, que cada vez mais se assemelha a uma cadeira de palha antiga num canto do museu (vai lá sentar-se quem não entende nada de cadeiras, nem de museus, nem de literatura, nem do que se passa no mundo hoje). Talvez as crónicas desse Fradique Mendes dos restaurantes que não sei quem seja nos curem por momentos, na sua declarada ambição gastronómico-cultural, da falta de utilidade das prosas e poesias que sem sentimento de culpa se ensimesmam na inconsequência. Um excerto (discutível, evidentemente):


"Peixe assado é como o sexo. Mesmo quando é mau é bom, quase nunca é muito bom, e quando é muito bom dificilmente nos lembramos de como foi."

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