Thursday, January 11, 2007

Tudo é razão

Pega na caneta e escreve. O pó
acumula-se na brancura do papel,
olha a forma delicada das letras
esguias, redondas e desenhadas com
convicção. Olha o teu destino nesse
espelho e sorri: criança que não
deixas de brincar, tudo é motivo
para prolongar a inocência da
infância, esse prazer de sonhar.
Perdes-te de ti mesmo tal como
és, esqueces a realidade, a dura
realidade da vida. E depois ris-te.
Para quem morre, que importa a
inutilidade da graça, o exagero do
sentido de humor, o despropósito
da brincadeira da escrita? Tu sabias
isso e muito mais, mas ainda assim
vieste, com o bloco de papel e a caneta
na mão, tantos meses depois, sentar-te
para escrever, de novo, um poema.

Santa Barbara, 5 de Maio de 2000

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