Sunday, January 21, 2007

o amor?

entre as coisas que não me aconteceram conto
o facto de nunca ter estado casado com harriet
bosse por conseguinte nunca imaginei que
depois de nos termos separado ela tinha o
poder de me provocar eroticamente de longe
não nunca me passaria pela cabeça uma coisa
semelhante também é verdade que tenho uma
desculpa para isso não me chamo nunca me
chamei august strindberg nunca andei pelas
ruas de paris atormentado pelo amor a pensar
em transformar o carvão em oiro tenho essa
desculpa e deve bastar ou não basta mas nada
posso fazer para tornar a situação mais aceitável
em meu favor posso afirmar no entanto que fui
eu quem em paris andou pelas ruas à noite
com
uma rapariga americana há muitos anos
era no
meu pescoço que ela se pendurava
quando a mãe
ia comprar cigarros tinham
acabado de chegar de
itália não nos víamos há
quase uma semana
à noite o desejo a paixão ficavam ao rubro
ela
subiu ao quarto de hotel para ver
se a mãe e
a irmã ainda não tinham chegado veio
à janela
fez-me sinal chatice tarde de mais
paciência
por que razão não me lembrei de ir dormir
com
ela noutro hotel ainda não entendi que
parvoíce mas
foi assim não frutificou como
podia o amor que nos tornava
nessa noite
irreais encontrámo-nos dias depois em aix
e a paixão
mostrou-me no quarto daquele
hotel barato perto
do cours mirabeau o
rosto que nunca mais quis
mostrar-me
em lugar nenhum eu ia para casa
a pé ao
fim da tarde ou de madrugada drogado
de
amor alguns dias depois finalmente
despedimo-nos no
aeroporto de marselha
nunca nunca
mais nos vimos a primeira
carta que ela me
escreveu não falava de
amor mas não
me lembro de nenhuma
outra carta de amor
como me lembro dessa
rasguei-a para não
aborrecer outra mulher
não era necessário cometemos muitos

erros fazemos asneiras umas a seguir às
outras
devia ter-me casado com ela que
me amou como ninguém
voltou a amar-me
tarde de
mais para pensar nisso erro irreparável
agora além do mais podes
queixar-te também
de nunca teres estado casado com harriet bosse

confessa
imbecil admite que nada sabes acerca
do amor
que nunca soubeste nada isso pelo menos
já deves ter entendido vem de
longe a ignorância de
outro modo não deixavas seguir
sozinha a sua vida
aquela que te disse
as palavras que ninguém nunca
mais soube dizer
não eram iguais a nada a ninguém
os lábios que as
deixavam cair os olhos o cabelo a pele
o sorriso não sabes decrever o amor nem o seu poder
mas
não te esqueceste não me esqueci nas noites de
inverno às
vezes acordo sobressaltado no sofá a música
demasiado alta as cordas de shostakovich esganiçadas
a gemer a atormentarem o descanso dos mortos
se abro
os olhos a falta de sentido de tudo é evidente tão clara

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