Tuesday, January 09, 2007

Frutas coloridas

As cidades do passado brilham ao sol
da manhã de Maio: flores, os jornais
acabados de sair. E vão para o emprego
homens sérios, para a escola rapariguinhas
tímidas. No meu passado havia ruas assim,
purificadas pelo silêncio e pelo frio da noite,
a renascer como uma criança para o dia novo.
Os transeuntes apressados, a dar passos rápidos
no Cours Mirabeau, entre os plátanos. O mercado
com as suas frutas coloridas, as vozes dos vendedores
ambulantes a apregoar a alegria. E na minha memória
repousava a imagem dos filhos queridos, da amada
eterna. Tantas vezes nos enganamos. O futuro é-nos
desconhecido, de facto imprevisível. Ficamos
espantados, de olhos abertos, quando nos damos
conta disso e de que não se compadecem de nós
os deuses. Cidade do dia de Maio que na manhã
de sol era igual à cidade do passado. Para longe,
recordações, afastai-vos, deixai o exilado em paz
a tomar café e a fumar um cigarro. Para que o
atormentais? O seu coração encontrou a paz, já
nada pode surpreendê-lo, ele conhece a sua morte.

Santa Barbara, 17 de Maio de 2000

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