Friday, December 15, 2006

Quase em silêncio

A maré sobe e desce. Na areia
lisa vi, à noite, as marcas dos pés
nus de uma criança. Os dedos, a
planta do pé bem marcados,
provas da presença e do
movimento. Quem? Aonde
ia, de onde vinha, onde estará
agora? De manhã ou não sei
quando, a água, de novo, virá
e há-de apagar tudo. Quase
em silêncio o mar tranquilo
vai e vem, depois, de noite,
deixa-nos dormir em paz.
Há-de vir o Inverno,
a chuva, os temporais
hão-de transformar a
paisagem. A criança,
rapaz ou rapariga, esquece
a tarde ou a noite em que
caminhou, descalça, na areia
lisa, tão macia e fresca. Aquele
que, num quarto do hotel
próximo, esperava pelo
sono, há-de recordar-se, mais
tarde, dessa passagem rápida
pela aldeia à beira-mar.

Le Croisic, 19 de Setembro de 1997

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