Thursday, December 07, 2006

O silêncio

O sentido das palavras. Quem se
detém nele
o bastante para saber
em que direcção
vai o destino?
Falar é tão fácil, tantas
vezes.
Cobre corroído em vez do oiro.
As circunstâncias, evidentemente.
Assim se explica tudo, o céu e
o inferno,
a fome e a sede,
o prazer e o terror.
As
circunstâncias.
Desencontrados de nós
e
do sentido das palavras,
irremediavelmente.
Nunca
estamos onde os outros
estão,
eles não estão onde
os imaginamos nem
nós
onde eles nos imaginam.
Trocamos
palavras por
palavras, vencemos
a solidão,
partilhamos,
participamos do erro secular.

Que importância é que
tem? O silêncio
seria mais
perfeito e nós mais felizes
nele?
Quem sabe.
Excrescências, restos,
lixo:
palavras e frases saem
da nossa boca.
Ficamos
mais limpos por dentro?

Viscosas, as palavras voltam
como
o eco ao nosso encontro,
fixam-se
na memória,
atormentam-nos. As
palavras
ou os acontecimentos?
As
explicações e as imagens ou

aquilo que realmente
aconteceu?
A invenção
dos dias, o passatempo,

a diversão. Digressões
à volta do tema
principal,
nunca evocado. O sentido
das palavras? O sentido
da existência?
Que vale
um corpo, um olhar?



Santa Barbara, 25 de Outubro de 1994

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