Wednesday, December 13, 2006

Esquecemos

Responder às perguntas fundamentais
está fora do nosso alcance. Respondemos
à nossa maneira e provavelmente não há
outra. Agir (age-se por necessidade) é já
responder. Esquecemos a perfeição, a lógica,
as teorias. Mais tarde podemos lamentar
os erros cometidos ou corrigir. Não
somos deuses nem nos habita a ambição
de ocupar um lugar de responsabilidade
na História. Deixamos aos outros a ilusão
das doutrinas, as explicações do mundo
que se pretendem inteligentes. Vivemos
como podemos. Não é preciso comer,
dormir, amar? Fazemos o que é possível
por ir cumprindo com o destino. E
quando os problemas são insolúveis
aceitamos esperar até poder tomar
uma decisão (apesar da imperfeição,
que não ignoramos, do conhecimento).
Às vezes, para evitar aprofundar a
questão do tédio, pomos a tocar
um disco de Vivaldi e ouvimos.

Santa Barbara, 14 de Setembro de 1994

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