Friday, December 08, 2006

Entre estranhos

O que é o caos? À nossa volta agita-se
o mundo e não sabemos em que cadeira
sentar-nos
para olhá-lo de longe. Apropriar-se
do real, mas
o real não se deixa possuir e vai indo
de beco
em beco, com a obsessão do seu próprio
desejo. E
nós sentimo-nos excluídos da ordem
universal e
chamamos-lhe a desordem e a ruína,
citamos
a favor do nosso ponto de vista a experiência
pessoal. Pus os óculos de sol em cima da mesa
vermelha do café, começava a arrefecer, o sol
ia-se escondendo. Aonde iria? O que é o caos?
Ter uma casa, um refúgio, um lugar de habitação.
Mas vivendo entre estranhos, como proteger da
invasão sacrílega a casa e o destino? Por que
lutámos? Como lutámos? Há aqueles que não
perdem de vista a luz ao fundo do túnel;
e os outros, os que se detêm a cada passo
para observar a réstia de luz que parece
brotar dos muros na escuridão. Há,
na tarde e na noite, a alegria e o sorrisos
das jovens raparigas, desejos do mundo
que o mundo não se cansa de desejar;
e a gravidade do homem solitário que já
não levanta os olhos do chão para olhar
as pessoas porque receia cometer o crime
da indiscrição, ser importuno. O que é a
ordem do universo, para que vivemos?

Santa Barbara, 27 de Outubro de 1994

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