Tuesday, December 05, 2006

Diz

Diz que me amas, sugeri eu
à rapariga
que falava comigo
ao telefone. Seria
mentir, não
posso, respondeu ela.
Diz,
apesar de tudo, qualquer coisa

que me faça feliz, insisti eu. Tu
és inteligente, eu admiro-te,
sussurrou ela. E calámo-nos
os dois durante um instante.

Era eu que a amava. Que
outro
nome podia dar
à vontade
de a ver, de a
beijar?
Mas também não
ignorava
que o desejo nos
manipula e faz
dizer
coisas
que não são
verdadeiras.
É na prisão
do espírito que nasce

o amor. Sem o corpo
como se libertaria?


Santa Barbara, 30 de Novembro de 1994

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