Sunday, December 10, 2006

Chamamos poesia

Quem nos cantasse uma canção dolente
com memórias suaves da infância.
Pinheiros ao sol, as uvas nos cestos
- e o meu juvenil coração alegre.
Mas no exílio dourado ninguém canta
para nós, as próprias árvores parecem
alheias ao nosso destino. Aquelas
que amamos estão longe, olham outros
olhos, são amadas por outras mãos. E
nas igrejas silenciosas ninguém reza
por nós, ninguém encomenda a Deus
a nossa alma condenada à solidão.
Inconsolados, refugiamo-nos nas palavras,
chamamos poesia às nossas queixas,
à miséria da nossa condição tentamos
escapar. A morte virá e com ela a
resolução de todas as dores, injustiças.

Santa Barbara, 14 de Outubro de 2003

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