Friday, December 15, 2006

A amada

A amada: figura inventada.
Com que rosto preencher
o conceito? Cruzavam-se
no meu espírito decepções
e outros momentos intensos
da paixão e do desamor.
Para quê tanta agitação?
A impossibilidade, a
desatenção, a leviandade
dos dias. Eu começava a
substituir um corpo por
outro corpo, um rosto por
outro rosto, a memória do
passado que me doía pela
imaginação do futuro que
me reabilitava para a vida.
Morrer inteiramente
satisfeito com os próprios
erros, com os desastres
que não se puderam evitar,
com a saudade daquelas que
gostaríamos de amar eternamente
e não foi, nunca será possível.

Santa Barbara, 8 de Junho 1995

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