Sunday, November 12, 2006

Pois não

Corria o rio para a foz no mar.
Mas onde era o mar? Falando
contigo eu recorria ao subterfúgio
das metáforas. Não para
te enganar. Nem para mentir.
Tentava apenas explicar
a aparente simplicidade
de algumas frases. Rio
límpido da amizade, disse
eu. É isso que tu queres,
perguntaste tu. E tu
o que é que queres, disse
eu. Protestaste: não
respondeste à minha
pergunta. Pois não. Nem
tu à minha. Aonde ia dar
o rio límpido da amizade?
E em toda a amizade
há amor. Dizias tu
às vezes. Cansado, eu
desligava o telefone,
pensava em dormir.

Londres, 12 de Outubro de 2004

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