Tuesday, November 14, 2006

partimos de casa

E agora vem, desce sobre mim, ó
recordação da figura tutelar do pai.
Para que tenha sentido no meu
coração a punição da Lei, para
que me amarrem à terra as raízes
do sangue. Assim terei força para
escapar à loucura, ao caos e ao
sofrimento daqueles que não sabem
que pertencem. Deus não existe, eu
sei. Por isso nos consola o amor
das mulheres, nos serve de duro
amparo a autoridade paterna. Mas
partimos de casa um dia e é sós,
lutando contra as intempéries,
que vamos construindo o nosso
destino. Quem pode aconselhar-nos
ou dar-nos o apoio de um ombro
nos momentos de hesitação e de
perigo? Recordar a figura do pai,
as mãos da mãe, protege-nos
do naufrágio, certamente. Não
da dor nem do conhecimento
da verdade, porém. Como vai
longe o tempo da infância. É
nele que bebemos o leite e o
vinho da tenacidade.


Santa Barbara, 12 de Setembro de 1994

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