Sunday, November 12, 2006

Nunca mais?

Passam os meses, passam os anos
por nós e apressamo-nos a amar. O
tempo das experiências, os dias e as
noites de vaidade ficaram para trás.
Mas quem, tendo entendido que a vida,
como um livro, tem princípio e tem fim,
não lamenta ter chegado tão tarde perto
de si próprio? Numa cidade amada, na
noite fria, recordas o que viveste ao lado
de uma mulher. Provavelmente amaste
sobretudo as ruas, as casas e as árvores,
o sol e a chuva, os suaves fins da tarde
na Primavera. Mas o rosto, os incertos
passos dela perturbam ainda a memória
dessa viagem antiga pela cidade
e por ti próprio.
Os telhados das casas
recortam-se no céu baço,
ouve-se o vento
ao longe, o ruído de um
automóvel.
Nunca mais serás tão feliz
nem tão
infeliz como o foste aqui? Nunca

mais, talvez. Mas de que te serve
lamentar-te? Deus não te ouve e se
te ouvisse nada faria para mudar
o teu
destino. Ó anos da juventude
inocente
e ignorante. Ó dias e noites
de
aprendizagem da vida e da morte.

Londres, 10 de Outubro de 2004

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