Friday, November 17, 2006

Noites tépidas

Ó caravelas do destino, aonde me levais?
Agitam-se as ondas, sopra o vento forte.
Aonde me levais, ó caravelas que sabeis
o que é a tempestade e o bom tempo?
Numa baía desconhecida, recanto oculto,
lançaremos as âncoras. Esqueceremos tudo
o que sabemos. Seremos imortais, divinos.
Pode chover, que importará? Pode o sol
queimar-nos a pele frágil, que importância
é que tem? Noites tépidas, odores que
o vento traz das ilhas, das florestas, e nós
sentados na madeira do barco, as caravelas
sossegadas, a assistir. A imobilidade. A
tranquila paz. Enfim. Mas agora, ó caravelas,
aonde nos levais? porque vos agitais?


Santa Barbara, 7 de Novembro de 1994

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