Saturday, September 30, 2006

Ruído

Como um desastre, uma
morte, uma surpresa:
a voz, o som que no
ar toma forma e vai
e se curva, prolonga-se,
e eu não deixarei nunca
mais de ouvir, de saber
que estamos, eu existo
enfim, acordei ou nasci.
Vagido do ser que irrompeu
do ventre oculto do nada
e criou o mundo, um risco
azul ou preto na página
branca bastam para
reinventar, iludir talvez.
Mas aquele que ouviu,
contente, recebe a imagem
e a consolação, alegra-se-lhe
o dia e o espírito, o
futuro, de novo, pode
imaginar-se, amar-se.

Santa Barbara, 30 de Junho de 2004

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