Wednesday, September 13, 2006

mozart ou schumann?


e
ra um tipo curioso. ou estava a comportar-se de maneira que ele próprio achou curiosa. amara uma mulher que o aborrecia e irritava, que ele achava superficial e meio doida. separaram-se. quando voltou a casa depois de uma viagem pelo estrangeiro, porém, achou-a excessivamente vazia. tudo lhe lembrava a desaparecida, desde o ridículo tapete no quarto ao seu lugar por ocupar à mesa. sentou-se no sofá onde ela costumava adormecer invariavelmente a meio de um filme. apetecia-lhe a consolação da música. sentado no chão a escolher um cd, hesitou: così fan tute ou dictherliebe opus 48? o amor é uma farsa ou uma tragédia? decidiu-se por schumann, pôs o cd a tocar. sentou-se, acendeu um cigarro. tinha sede, foi buscar um copo de água. voltou a sentar-se. a dado momento leu, no livrinho que acompanhava o disco, o que heine escreveu e schumman sofreu: when i hear the sound of a song / that once my beloved sang, / my bosom is near to bursting / with the savage strain of sorrow. // a dark longing drives me / up to the woody heigths; / there in tears is released / my overwhelming woe. deixou-se impregnar pela música e esqueceu-se de sentir os seus próprios sentimentos.

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