Friday, September 29, 2006

Eu nada sabia

Que dizer? Tu falavas no telefone,
estavas tão longe. Sentiste-te mal,
um indigestão provavelmente. Quase
choravas, abatida. Que devo tomar,
perguntaste. E eu não sabia que responder.
Eu nada sabia da tua vida: nem o
sentido das tuas palavras nem o
sentido dos teus dias. Na farmácia,
respondi, dizem-te o que tomar; explica
o que sentes e eles devem saber. Mais tarde
voltaste a telefonar, alguém te preparava
um chá, estavas mais tranquila. Mas eu
continuava sem saber o que tu tinhas e
o que pensar. Olhava a tua fotografia
na estante e pensava: como é possível
ela ter envelhecido tão depressa, deixado
de ser a inocente rapariga que uma tarde
caiu nos meus braços, a sorrir de alegria?


Santa Barbara, 5 de Março de 2004

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